Christianismo

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Christianismo

Mensagem por CChris em Qua 24 Dez 2014, 16:48

(Nota: Esta promo supostamente passa-se em ingles, mas para uma maior compreensão da comunidade, vai ser escrita em Português.)

A notícia tinha-se espalhado, já fazia furor em toda a Inglaterra. “O Deserdado”, como era apelidado nos midia ingleses, vindo de uma das famílias mais poderosas do reino, Chris Wickings, foi contratado por uma grande empresa de wrestling. “Real Contratação: UWL assina com “O Deserdado” Chris Wickings”; “ Os deuses devem estar doidos: Companhia de wrestling contrata problemático Wickings”.

[Cam On]

Situamo-nos num quarto de motel. Ainda estava tudo escuro, era cedo e o sol ainda não tinha subido o suficiente no céu para iluminar o quarto. Neste, encontrava-se uma casa de casal, no meio, um pequeno armário encostado a uma das paredes e uma TV barata, em cima de um pequeno móvel com gavetas, em frente da cama. No quarto, encontravam-se duas pessoas. Uma mulher, nos seus 30 e poucos anos, de longos cabelos negros, deitada na cama. A outra era o tão falado, Chris Wickings. Este estava a colocar roupas dentro de uma mala de viagem. A TV estava acesa num canal de notícias local.

“Breaking News”

Apresentadora de TV: Está confirmado. Chris Wickings, o ultimo descendente da família Wickings, é oficialmente um lutador da nova potência do Wrestling Europeu, a Ultimate Wrestling League. Chris é conhecido por ser um jovem problemático que enchia as capas das revistas cor-de-rosa quando era mais novo. Escândalos envolvendo álcool, drogas e prostituição faziam parte da sua rotina diária. O jovem “Deserdado”, conseguiu acalmar nos últimos anos, tendo largado todo e qualquer vício que tinha e adquirindo um novo, a violência física, gratuita, a que ele chama de “Hardcore Wrestling”. Chris está previsto estriar-se no primeiro show da UWL, no dia 5 de Janeiro do próximo an…

A emissão televisiva é interrompida por Chris que desliga a televisão. Este volta para perto da sua mala.


Chris Wickings: Já falam de mim em todos os canais, em todos os jornais, em todas as revistas… voltei a ser o centro das atenções da Inglaterra, mas desta vez, pelas melhores razões. O meu nome, é Chris Wickings - diz isto enquanto olha para a camara -. A grandeza está-me no sangue, e a violência, está-me na alma.

Podemos observar, na parte de trás da mala, um brasão real, que provavelmente, é o brasão da família Wickings.

Chris: Toda a minha família é feita de guerreiros e conquistadores, governadores e lideres. Eu não serei diferente. Posso ter sido esquecido pelos meus pais, mas não fui esquecido pelos meus ancestrais. Nas minhas veias corre sangue azul, sangue cheio de virtudes e atributos que me ajudarão a conquistar os meus objectivo na UWL… e na minha alma, o espirito de um jovem guerreiro floresce das cinzas de um passado sombrio. Todos antes de mim foram grandes, também eu serei, mas, com o meu toque pessoal.

O jovem inglês dirige-se ao mini-frigorífico do quarto que se encontrava no outro lado da cama. Este baixa-se e abre o frigorífico, quase vazio, apenas contendo alguns alimentos e latas.

Chris (com cara de desilusão): Este frigorífico está vazio como o meu passado…

Wickings apanha uma maça e volta para junto da mala, enquanto a arruma.

Chris :Vou contar um pouco da minha história familiar para verem o quão grande eu sou. Um dos meus antepassados foi Gilles Wickings, “O Gordo”. Este homem foi o primeiro de muitos líderes da casa de Wickings. Comerciante com uma astucia inigualável para o negócio, ele “comia” toda a sua concorrência. Fez uma fortuna que ainda hoje existe. Mas este tinha um grande defeito.

Chris dá uma dentada na maça, mas apercebe-se que esta está podre. Rapidamente, cospe-a e joga fora a parte que tinha na mão.

Chris (ainda limpando a boca): Como o seu apelido indica, ele era gordo. E quando digo gordo, não refiro-me a um desses fora de forma que têm uma barriga de cerveja mas que continuam a poder andar de fato caro pelas ruas de Londres. Gilles era gordo ao ponto de, na sua juventude, o exército inglês ter recusado a sua entrada para a infantaria pelo excesso de peso deste. Gilles morreu no seu trono, trono este onde passou os últimos meses da sua vida sem nunca se levantar, pois o seu excesso de peso não permitia que este fica-se de pé sem que as suas pernas cedessem. Ele falou comigo. Sim, porque todos os meus ancestrais falaram comigo, durante os meus sonhos, eles encaminharam-me para uma estrada de sucesso e glória, tirando-me de um beco sem saída.

O jovem “herdeiro” da família Wickings dirige-se a um espelho que havia no quarto e admira-se perante este.

Chris: Como dizia, Gilles falou comigo. Este disse-me que o mais importante na vida, não é nossa cara, o nosso corpo, as roupas que vestimos ou o quão pintado nós estamos. O que realmente conta, para marcamos pela diferença, é a forma como fazemos as coisas. A nossa inteligência é a nossa principal arma…

Chris começa a irritar-se. Começa a ficar vermelho de raiva e a ter uma respiração rápida e pesada.

Chris (enervado): Pois sabes o que te digo, Gilles? Eu tenho a inteligência que tu falas, mas ao contrário de ti, eu não morrerei afogado nas minhas próprias gorduras! Eu não morrerei graças aos erros que cometi, como tu!

Wickings tenta acalmar-se, sentando-se na cama. Este joga as mãos á cabeça, brincando com o seu cabelo vermelho e negro. Chris sente movimento na sua cama e olha para o lado, observando a mulher que se encontra nela. A mulher estava despida, pelo o que era observável.

Chris (acalmado e sorrindo levemente): São os pequenos prazeres da vida que fazem esta valer a pena. São estes momentos de prazer que me dás, que fazem valer a pena. O único defeito desta relação, é que estes momentos, não seja em troca de amor, mas sim de dinheiro.

Chris volta a olhar para a camara e retorna o seu monólogo.

Chris: Outro antepassado que guiou-me durante esta minha caminhada, foi Lucy, “A Formosa”. Filha de Gilles, ao contrário de seu pai, era esbelta. Esta era a sensação de qualquer baile real que acontece-se no reino. Lucy casou-se com um irmão do herdeiro ao trono real e aumentou ainda mais o prestígio e fortuna da família Wickings. Por razões desconhecidas, os filhos deste casal ficaram com o nome da mãe e não do pai. Lucy desenvolveu um gosto enorme por bens materiais. Desde as jóias mais caras, aos tecidos mais raros e mais pomposos que podia haver. Diz-se que apenas a sua colecção de sapatos era mais valiosa que todos os bens das famílias do povo de Exeter. O seu armário era tão grande, que era preciso haver uma casa à parte do palácio onde vivia apenas para alojar toda a sua roupa. Devido a razões desconhecidas, essa casa ardeu e todas as roupas de Lucy ficaram carbonizadas. Fala-se que metade da fortuna da família desapareceu por entre as cinzas.

Chris volta a olhar para o espelho, desta vez, sentado na cama.

Chris: Lucy disse-me que nenhuma impressão é mais forte que a primeira. A maneira como nos apresentamos perante o público é importante para que este perceba desde inicio aquilo que nós somos, ou seja, superiores. Mas eu, ao contrário de Lucy, não vou deixar que as minhas roupas ditem aquilo pelo qual sou lembrado. Eu vou deixar a minha marca por aquilo que eu fizer.

Chris levanta-se e, ao avançar para a frente, sente que pisa algo. Ele olha para baixo e vê as roupas da mulher que se encontra deitada na cama. Por entre as roupas, este vê um lenço bordô, lenço este cujo estilo o agradou imenso. O jovem inglês olha para a mulher, para verificar se esta está a dormir. Quando confirma isso, este apanha no lenço e coloca-o na sua mala.

Chris: Ivory, “O Afrodita”. Acho que o nome da criatura diz tudo. Ninguém sabia o que ele era, se homem, se mulher, a não ser os seus pais e os seus criados sexuais. Sim, era uma coisa comum na altura. Criados e criadas… a extravagância era muita. Ivory, assim como Lucy, parecia que nunca tinha o suficiente. Mas ao contrário de Lucy, Ivory não se ficava apenas por aquilo que era seu, mas também, por aquilo que era dos outros. Diz-se que contratou pessoas para matar a sua própria irmã, apenas porque queria ficar com o namorado desta. Quando este o rejeitou, Ivory suicidou-se. Demasiado melodramático, mas também ele …  ou ela, falou comigo. Disse-me que tinha que ser único, que tinha que ser especial. Se fosse apenas mais um no meio da multidão, ninguém se iria lembrar de mim.

Chris coloca umas últimas roupas na mala que, já estava bastante cheia.

Chris: Mas ao contrário de Ivory, eu não cairei no desespero, não me deixarei ir a baixo ao ponto de abandonar tudo aquilo pelo qual lutei até hoje. Eu não desistirei tão facilmente dos meus objectivos. Não vou cometer “suicídio” profissional, o meu objectivo é provar que, apesar de ser um filho renegado, tenho sangue real.

Chris vai a uma das gavetas e tira de lá um espigão de ferro. Este fica uns instantes a olhar para o mesmo e a sorrir.

Chris: Bons momentos que passei contigo… Iris…

Wickings vira o espigão para a luz que, agora, começa a ser um pouco mais intensa e observa o objeto.

Chris: Quero falar de um último antepassado meu… Iris. Aproveitando o seu nome, deram-lhe o apelido de “A Witched Queen”. Iris Wickings, a principal cara da Casa de Wickings, a figura mais importante do passado desta família. Ela foi a Duquesa do condado de Devon, condado onde fica a minha cidade natal e também cidade natal de Iris, Exeter. Ela espalhou a sua ira por todos aqueles que a fizessem frente, ela destruiu as tropas francesas que entraram no seu condado e massacrou Napoleão. Soberana, autoritária, poderosa, tornou Devon num dos condados mais temidos de toda a Inglaterra. O seu único defeito… é que apesar de tudo, ela tinha alguém a cima dela, o rei. Eu, ao contrario de Iris, irei provar que ninguém na UWL estará acima de mim. Se estiverem, será apenas em altura e, até esses, cairão aos meus pés e se curvarão perante mim. Eu vou mostrar a todos que o meu sangue…

Chris agarra em Iris (espigão) e faz um corte ao longo do seu braço.


Chris (exaltado): ESTE SANGUE, É SANGUE REAL! Eu vou subir ao MEU trono e todos verão que Chris Wickings não é um príncipe, não é um rei, mas sim, um Deus!

Chris começa a penetrar violentamente a colcha da cama com o seu espigão. Esta fica toda rasgada e a mulher que está deitada nesta acorda assustada. Ela fica a olhar para Chris e para o seu braço. Chris coloca Iris na sua mala e fecha-a, apanha num bilhete de avião com destino a Lisboa e no seu casaco.

Mulher (ainda assutada): Não vais passar o natal com a tua família?

Chris (muito calmamente): Eu não tenho família. Não tenho pai nem mãe. Eu não nasci para este mundo, eu apenas apareci neste como parte da natureza. E eu não celebro o Natal. Não acredito nas tretas do cristianismo.

Mulher: És ateu?

Chris: Era ateu, até me aperceber que eu sou um Deus na terra.

Chris abre a porta, sai do quarto e fecha-a com força.

[Cam Off]
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Re: Christianismo

Mensagem por CChris em Sab 27 Dez 2014, 22:10

(Nota: Esta promo supostamente passa-se em inglês, mas para uma maior compreensão da comunidade, vai ser escrita em Português.)
 
O céu, ao contrário do que se vê em Portugal, é nublado e escuro na terra de Exeter, como é habitual em terras de sua majestade. As ruas, ainda molhadas das chuvas, mostravam um ambiente morto e quase depressivo. Poucas eram as pessoas que passeavam nas avenidas, estando maioria a aproveitar a época natalícia no calor e conforto das suas casas, com as suas famílias.
 
Num certo motel, à beira da estrada, consegue-se observar um homem a sair de um dos quartos, com um casaco negro, comprido, uma mala de rodas, também ela negra, e cabelo negro e vermelho. Era ele o jovem Chris Wickings, que saia estava de partida para o aeroporto, onde iria apanhar o avião para Lisboa, local onde se iria instalar até ao primeiro show da UWL, companhia que, recentemente, tinha contratado Wickings. Chris, que já se encontrava no passeio, para agora junto à berma e saca do bolso do seu casaco o seu telemóvel.
 
Chris (a falar consigo próprio enquanto marca o numero dos taxis): Espero bem que os taxistas se lembrem de trabalhar no dia de hoje. Não estou para ter que apanhar um autocarro e ter que estar no mesmo local que toda aquela gente imunda.
 
Neste mesmo momento, um carro preto de alto gabarito estaciona em frente de Chris. O mesmo fica algo confuso mas depressa devolve o telemóvel ao bolso e prepara-se caso seja preciso atacar. Olha para os lados para ver se alguém estava a vir por lado ou por trás, mas nada. A janela de trás, também ela preta, começa a descer lentamente e uma figura masculina, um pouco velha mas com aspecto bastante requintado, aparece. O seu cabelo, loiro escuro e tratado, um pouco longo, o suficiente para cair por trás da orelha, era o único aspeto “menos etiquetado” em todo o senhor. Chris que, depressa reconheceu a figura, ficou algo aliviado, mas ao mesmo tempo, ainda preocupado e hostil.
 
Chris: Boa, voltamos aos velhos tempos quem que me vinhas buscar ao colégio, para que eu não tivesse que interagir com as pessoas de classe inferior. Mas as únicas diferenças, é que, como vês, isto não é propriamente um colégio e, eu não entrarei nesse carro para ir contigo, não é Hermes?
 
Thierry Hermes, velho mordomo da família Wickings, ao serviço desta à mais de quarenta anos. Ele era conhecido por muitas vezes fazer de porta-voz da família, quando esta precisa de comunicar com Chris, visto que os pais deste recusam-se a comunicar diretamente com ele.


Hermes: Primeiro diz-se bom dia, menino, ou já esqueceu toda a etiqueta que eu lhe ensinei?
 
Chris: Sabes o que eu penso da tua etiqueta?
 
Chris enfia a mão por dentro das calças, na zona das virilhas. Rapidamente tira-a de lá e mostra o dedo do meio ao mordomo.
 
Hermes: Que desagradável… mas enfim. Antes do menino começar já a rejeitar entrar neste carro, quero-lhe dizer que tenho uma mensagem dos seus pais.
 
Chris: A não ser que um deles esteja no outro lado do banco desse carro, eu não falarei com ninguém.
 
Hermes: Acho que não tem grande alternativa. Sempre pode ficar aqui, à espera de um táxi, ou de um… autocarro. Mas pode ter o azar de não aparecer nenhum e ter que ir andando até ao aeroporto que fica a 17 km de distância. Isso seria uma escolha muito sensata… Ou então poderia entrar no carro, falar um pouco comigo e sair no aeroporto.
 
Chris (gozando com a situação): Agora além de mordomo e mensageiro também és concelheiro? Tens a certeza que eles andam-te a pagar o suficiente? Sabes que existe sindicatos que podem-te facilitar em muito a vida. (agora mais sério) Já vi que usaram do vosso bom dinheiro para me lixar a vida. Entro, mas não garanto que te responda muito.
 
A porta do carro abre para que Chris possa entrar neste. A sua mala é apanhada por o motorista que a coloca na parte de trás do veículo e depressa volta para o seu lugar, para prosseguir viagem. Chris encontra-se neste momento lado a lado com Hermes, na parte de trás do carro.
 
Chris: O que aconteceu ás vossas limusinas? Isto é maneira de vir buscar o filho predileto?
 
Hermes: Todas as nossas limusinas têm o brasão da casa de Wickings gravado nelas, assim como aquela sua mala. A última coisa que queríamos era chamar atenção e que amanha estivesse em todos os jornais “Oficiais de família nobre visitam filho deserdado”.
 
Chris: Pode ser que mesmo eu telefone para alguns jornais a fazer isso, seria uma maneira de arranjar alguns trocos. Estou a ficar sem tabaco, arranjas-me um cigarro de enrolar dos teus, velhote?
 
Hermes vai ao bolso de dentro do seu casaco e retira uma caixinha prateada, com o tal brasão nesta.
 
Chris: Pergunto-me porque é que tu andas com uma coisa tão chique com esta e eu apenas tive direito a uma mala e montes de broches com o brasão.
 
Hermes: Provavelmente, o menino teve direito a muito mais do que eu, mas os seus vícios falaram mais alto. A sua necessidade de alimentar os seus vícios fez com que se livra-se de tudo o que era material, em troca de… espiritualidade?
 
Chris: Nem penses que vamos voltar aos velhos tempos em que me dás sermões. Diz lá o que é que os meus pais querem de mim. Querem que eu me despeça da UWL, pois está a chamar demasiadas atenções? Alias, não, tive uma ideia melhor, eles querem receber uma percentagem de tudo aquilo que eu ganhar nesta empresa. Acertei?
 
Enquanto a conversa acontece, Chris coloca o tabaco na mortalha. De seguida o filtro e, num movimento seco e rápido, enrola o cigarro de uma forma que impressiona Thierry.
 
Hermes: Eu perguntava onde o menino aprendeu a enrolar cigarros dessa maneira, mas acho que prefiro não saber. E não, os seus pais não querem o seu dinheiro. Desse material estão eles bastante abastecidos. O que os seus pais querem de si é distância. Alias, distância e diferenciação.
 
Chris (acendendo o cigarro e olhando para Hermes de forma confusa): Explica-te lá melhor, velhote.
 
Hermes: Então é o seguinte. Os seus pais gostariam que você retira-se o nome Wickings do seu próprio nome, para que tudo o que faça daqui em diante não seja diretamente ligado com a família e a Casa.

Chris fica por momento quieto e imóvel, olhando fixamente para Hermes. Leva o cigarro à boca e expele o fumo para a cara do mordomo francês da Casa. Este, incomodado, vira a face para o outro lado, mas sem nunca expressar uma única palavra.
 
Chris (perturbado): Já não chegava tirarem-me a herança, os bens e afastar todos os contatos de mim, agora também querem tirar-me o nome?
 
Chris começa a rir alto e a bom som. O riso, quase irônico mas bastante genuíno, perturba visivelmente o francês Hermes. Este dá mais um bafo no cigarro, expelindo o fumo logo de seguida. O jovem inglês faz pontaria à ponta ardente do cigarro para, com a sua boca, deixar cair um pouco de saliva que, por consequência, apaga o cigarro. O inglês decide colocar a ponta apagada e suja de cinza molhada no bolso de seu casaco.
 
Hermes: E aqui está o efeito de todas as porcarias que andou a tomar, a sua loucura.
 
Chris rapidamente joga a mão aos colarinhos de Hermes, fazendo levantando-o do banco e encostando-o contra a porta do carro. Chris já não ri, ao contrário disso a sua cara mostra uma raiva a ira tremenda.
 
Chris: Escuta-me bem velhote. Eu já levei no cu bastantes vezes à custa dos meus pais. Eles tiraram-me tudo, TUDO! Mas uma coisa que eles não me podem tirar é aquilo que eu sou e o meu nome faz parte de mim. Se eles não quisessem que eu usa-se o nome deles, eles que não me tivessem feito com o sexo sem amor que eles fazem.
 
Hermes está assustado. Os olhos do mesmo estão abertos como tudo. O motorista começa a abrandar o carro para tentar encostar e ajudar o mordomo, mas Chris saca Iris (espigão) que estava na mala que trazia consigo, e coloca-a junto ao pescoço do motorista.
 
Chris: Continua a conduzir! Se chegar atrasado ao voo, vai ser o meu pai a pagar-me a viagem num dos seus jatos privados!
 
Hermes: Encosta o carro! Ele pode ser louco mas não é suficiente para te matar, isso seria apenas uma maneira de se matar a si próprio!
 
Chris: Estas a dizer que não sou louco?
 
Com o seu espigão, Chris parte o vidro da janela traseira do carro e faz metade do seu corpo e do corpo de Hermes sair para fora do carro, pela janela. Wickings ainda segura o mordomo francês pelos colarinhos com uma mão e agora, com a outra mão, segura Iris que está encostada ao pescoço do mesmo.
 
Chris (a berrar): Dizes que eu não sou louco!? Dizes que não sou capaz de te matar aqui e agora!? Eu mato-te seu cabrão, eu juro que te mato!
 
Hermes (desesperado): John (motorista), segue com o carro para frente! Segue com o carro ou este maníaco mata-nos aos dois!
 
E assim John o faz. O carro segue viagem para o aeroporto de Exeter. De seguida, Chris volta a puxar Hermes para dentro do carro, num movimento brusco e agressivo, tendo o francês quase batido com a cabeça na porta do carro, ficando os dois novamente dentro de este, Wickings numa ponta, Thierry noutra. O Mordomo acalma-se depois da emoção vivida nos últimos segundos e ajeita o seu fato e gravata que estavam amarrotados devido à violência de Chris.
 
Chris (enquanto maneja Iris): Escuta-me, Hermes, tu vais dar uma mensagem ao meu pai. Uma mensagem que tu não podes esquecer-te de dar, ouviste velhote? Bem, vais dizer-lhe o seguinte. Vais dizer-lhe que ele é uma farsa. Vais dizer-lhe que ele não merece ser um Wickings, que ele não merece ter esse nome, que ele não merece ser meu pai mas, por infelicidade do destino, é. Vais dizer-lhe que os antepassados têm vergonha dele e que será para sempre conhecido na nossa família como a desgraça que é. Já estou a imaginar, daqui a gerações, os nossos descendentes estarem a rever a história da família e verem lá o nome do meu pai, a pequeno: “Aaron, A Vergonha. Um homem que envergonhou toda a família Wickings por suas ações ridículas, como por exemplo, ter deserdado o seu filho, que mais tarde viria a ser conhecido como Chris, “O Grande, aquele que viria a salvar o legado de sua família depois das péssimas decisões de seu pai.”
 
Hermes: Se o menino pensa que seu pai irá dar a mínima importância aos disparates que está para ai a dizer, está bem enganado.
 
Chris: Cala-te, velhote. Não me interrompas. Tu vais dizer ao meu pai que, por mais que ele tente apagar-me da história da família, a história está do meu lado. Os antepassados falaram comigo e disseram-me o quão impuro o meu pai é… eles mostraram-me os seus pecados e disseram-me que, quando chegar a hora, vou ser eu a escolher o destino dele.
 
Hermes (com um riso grosseiro): Tu? Tu de ante todas as pessoas, serás tu a escolher o destino do teu pai?
 
Chris para de manejar Iris e fica a olhar medonhamente para Hermes. Este apercebe-se do perigo e decide manter a sua boca calada.
 
Chris: De ante todas as pessoas, eu sim. Eu sou o filho renegado. Sou como Lúcifer, um anjo caído do céu, expulso por seu Pai, incompreendido para a sua época. Mas, ao contrário de Lúcifer, Eu não descerei para o Inferno, não. Eu ascenderei aos Céus para destronar aquele que ocupa o meu trono. Diz ao meu pai que ele me verá novamente, um dia. E, para não te esqueceres do que eu acabei de te dizer…
 
Chris salta para o colo de Hermes, ficando com uma perna de cada lado e o velho mordomo no meio. Com Iris, rasga os botões da camisa branca do francês enquanto este, chocado, não sabe o que fazer senão gritar por ajuda. Chris abre por completo a camisa do mordomo, deixando o seu peito exposto. Jogando a mão ao bolso, ele retira deste a beata suja e apagada que tinha colocado antes. Chris começa a desenhar no peito de Hermes enquanto este, quase neutralizado pelo jovem inglês, observa com nojo o que é feito ao seu próprio corpo. Wickings desenha um traço vertical ao longo do peito, para de seguida, desenhar um traço horizontal, pequeno, no fundo da barriga, um bocado antes do fim do horizontal, formando uma cruz virada ao contrário, ou, uma espada.
 
Chris: Com esta espada, eu rasgo o teu peito e deixo o sofrimento apoderar-se de ti, pecador.
 
Chris desenha agora a letra W, a meio da tal espada.
 
Chris: Com o W, de Wickings, eu relembro-te a minha origem…
 
E, por fim, desenha um C, que vai cobre grande parte do desenho.

Chris: E com este C, de Chris, eu relembro-te de quem eu sou. Eu sou aquele que trará, de novo, dignidade à nossa Casa. Eu sou o fim desta dinastia e o início de uma nova. Eu sou Chris, “O Ultimo”… Wickings!
 

Finalmente, o carro para à porta do Aeroporto. Chris sai dele e, roubando, trás os óculos negros que estavam no num dos bolsos de Hermes. De marca e caros, esta deve ser a peça de vestuário em todo o corpo dele. Ele retira também a mala de rodas que trazia consigo e, sem mais demoras, dirige-se à entrada do aeroporto onde vai apanhar o avião para o seu próximo destino nesta sua estrada de glória, Lisboa.

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Re: Christianismo

Mensagem por CChris em Sab 17 Jan 2015, 20:46

(Nota: Esta situação ocorre, toda ela, num ambiente e em língua inglesa, mas, para melhor compreensão e facilitação de leitura da comunidade, decidi traduzi-la para português.)
 
Uma sala clássica e requintada é o local onde se está. Quadros de pinturas antigas, retratos majestosos de bravos guerreiros em cima de cavalos ou até mesmo de esbeltas donzelas que o sorriso é palavra que não conhecem. Os detalhes de ouro e prata ao longo da divisão, os moveis de madeira cara e os imensos tecidos decorativos, enchem a sala… vazia de emoções. Um ambiente limitador da imaginação e propicio à formação de nobres e valentes guerreiros, é isto que se quer.
 
No centro da sala, existia uma grande mesa de madeira escura, com várias cadeiras à volta da mesma, do mesmo material. Ao meio da mesa, estava um menino, que deveria ter pouco mais de oito anos.  À frente deste, um enorme livro, com poucas ou nenhumas imagens e cheio de letras, algo pesado e chato. O menino, de camisa branca, gravata preta, calções azuis-escuros dobrados acima do joelho, umas meias cinzentas que chegavam a pouco menos a meio da parte inferior da perna, sapatinhos de vela e o cabelo bem penteado, com gele e tudo, estava quase a dormir em cima do livro. A única coisa que o mantinha acordado, eram as palavras de um senhor que também estava na sala. Este, de cabelo curto e negro, um homem dos seus quarenta e poucos anos, muito bem vestido e com uma postura bastante exemplar, ia debitando matéria sobre história ao menino, enquanto andava à volta da mesa.
 
O menino que, desta vez, parecia ter apagado de vez em cima do enorme livro, ressonava. O senhor, ao ver isto, fica com um ar de desilusão na cara e, num movimento seco, dá um murro em cima da mesa que acorda o menino em sobressalto.
 
Senhor (ralhando com o miúdo): Menino Chris! Você tem que estar atento à lição de hoje! Ou acha que alguma vez vai conseguir ser um Wickings de verdade se não conhecer a história da sua família?
 
Chris (Ainda um pouco assustado): Hermes… assustaste-me! E, eu não quero saber da historia da minha família, eu não gosto de historia. Eu quero é ir lá para fora… quero ir brincar como os outros meninos.
 
Hermes: Mas você, menino Chris, não é, de forma alguma, como os outros meninos. Deixe-me relembrar-lhe quem você é.
 
As duas pessoas que podemos encontrar nesta sala é o lutador da UWL, o Inglês Chris Wickings e o seu novo Tradutor, Thierry Hermes. Estes estão muito mais novos, cerca de 20 anos. Numa altura onde Chris ainda era inocente perante um mundo cheio de perigos, perigos esses que ele iria mais tarde conhecer e, ele mesmo, tornar-se parte deles.
 
Hermes (enquanto ao redor da mesa, lentamente): O teu nome é Christopher Christian King Wickings. És, até agora, o único e ultimo descendente da grande família Wickings. Quando os teus pais falecerem, irás ser tu que irá comandar todo o Império que esta família construiu ao longo de seculos e gerações. Gerações cheias de nobres cavaleiros e corajosos guerreiros que deram a honra que esta família tem.
 
O jovem Chris coloca o seu cotovelo em cima da mesa e, apoiando a cabeça no braço, fica ali a “descansar os olhos” enquanto Hermes fala da sua história.
 
Hermes: A tua família está cheia de grandes condecorações, como por exemplo, é a mais importante família não-real de toda a história inglesa.
 
Hermes apercebe-se agora que Chris não está a prestar atenção ao que ele diz, por isso, vai ao pé deste e, num movimento rápido, desvia o cotovelo deste da mesa, fazendo Chris bater com a cabeça nesta.
 
Chris (em dor): Au! Aleijaste-me!
 
Hermes: Estás a ver essa dor? Essa dor é momentânea. É uma dor física causada pela tua fragilidade Chris. Se tu não treinares para conseguires ignorar essa tua fragilidade, nunca irás ser um grande homem como todos os teus antepassados.
 
Chris: Mas eu não quero ser como os meus antepassados, eu apenas quero brincar…
 
Hermes: Depois Chris, depois. Primeiro as responsabilidades.
 
Chris: Tu és aborrecido, Hermes.
 
Hermes: Um dia vais agradecer-me.
 
O Mordomo Francês fica em silêncio durante uns segundos, olhando para o jovem Chris, inocente e ingênuo. O mesmo volta-se para trás, para uma parede onde estava um enorme quadro de uma senhora. Este fica algum tempo a observar a sua grandiosidade. Esta, ao contrario do que era normal na sua época, não está pintada com um grande vestido, grandes maquilhagens ou coisas do gênero. Este senhora estava pintada com uma armadura, como uma grande guerreira e lutadora que era.
 
Chris: Quem é, Hermes?
 
Hermes: Esta, Chris, é a pessoa mais importante da tua família. O único membro da família Wickings que recebeu a distinção de Santo, distinção essa que apenas pode ser concedido por um papa. Esta, Chris, é a guerreira da família, o membro que ilustra perfeitamente aquilo de que o teu sangue vale. Esta, Chris, é a “Witched Queen”… Iris Wickings.
 
Hermes continua a ostentar a grandeza desta, enquanto Chris olha curioso.
 
Chris: Porque é que ela está tão séria?
 
Hermes (rindo da inocência de Chris): Ela ficou conhecida pela sua ira contra os seus adversários. Ela matou muitos durante as guerras contra os franceses e isso fez dela uma mulher séria.
 
Chris: Se calhar ela precisava de alguém que a fizesse rir um pouco.
 
Hermes liberta um pequeno sorriso e mete a sua mão na cabeça de Chris, para lhe fazer algumas festas. Neste momento, a porta da divisão abre-se e um homem entra na sala. Este deveria ter uns trinta e poucos anos e, como já é habitual ver nesta família, vinha com um belo fato. Apesar disso, este tinha um aspeto mais simpático, com a sua barba algo grande e o seu cabelo curto e desajeitado, mostravam a simplicidade que existia no meio de tanta riqueza. Ao ver o homem, Chris dá um salto da cadeira e corre em direcção deste.
 
Chris (Entusiasmado): Pai! Finalmente chegaste!
 
Aaron Wickings, pai de Chris Wickings e magnata empresarial que controla totalmente todos os negócios da família. O homem recebe o seu filho com um grande abraço, levantando-o do chão e colocando-o no seu colo.
 
Aaron: Chris, então meu filho, como estás?
 
Chris: O Hermes estava a ser aborrecido.
 
Aaron: Aposto que sim. Ele estava a ensina-te a historia da família?
 
Chris abana a cabeça positivamente.
 
Hermes: Mestre Aaron, por favor, não incentive mais ainda o miúdo a desconcentrar-se dos estudos. Ele precisa de…
 
Aaron (a interromper Hermes): Ele precisa de brincar, Hermes. Ele é uma criança, as crianças brincam.
 
Chris (efusivamente): Lembrei-me de algo! Pai, queres ver o que consigo fazer?
 
Chris salta do colo de seu pai e, rapidamente, faz a espargata no chão nu da sala. Tanto Hermes e Aaron ficam impressionados com a elasticidade do jovem.
 
Aaron: Bem, Chris, estás bastante evoluído não existe duvida. Olha, o que achas de eu te inscrever numa escola de ginástica, já que tens tanta agilidade?
 

Chris fica bastante agradado com a ideia e corre para fora da aula, para ir contar a ideia a sua mãe. Aaron fica com um sorriso na cara, agradado por ver o seu filho feliz. Já Hermes está visivelmente descontente, saindo também ele da sala, sem dizer nada, com uma expressão seria e pesada na cara.

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Diogo Lourenço

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