Edward Hosking no CC All Stars (31/12/2014)

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Edward Hosking no CC All Stars (31/12/2014)

Mensagem por Shotgun em Qua 31 Dez 2014, 18:29


É o último Curto Circuito do ano e o programa acaba de regressar do seu primeiro intervalo. São aproximadamente seis menos um quarto. A câmara rodopia à volta da dupla Maria Botelho Moniz e João Paulo Sousa, a mais requisitada do programa que hoje se despede dos telespectadores neste ano de 2014. Estão no seu painel habitual, de pé e com alguns cartões na mão que usarão para mais tarde entrevistar o convidado desta tarde. Quando a câmara finalmente para, ouve-se a voz de um dos apresentadores pela primeira vez nesta parte.

Maria Botelho Moniz: Sejam bem-vindos de volta à última e especialíssima edição do último CC All Stars de 2014! Neste que como saberão é o último episódio, teremos ainda mais surpresas para vocês que nos vêm todos os dias. O nosso próximo convidado foi a décima quarta contratação oficial da Ultimate Wrestling League e chega-nos da Inglaterra! Fará a sua estreia oficial na companhia de luta livre no próximo dia 5 de janeiro onde irá enfrentar o português Cláudio Rosas no Monday Night Kerosene. Para não esquecer, na SIC Radical às 22 horas! Já o temos aqui em estúdio e em breves momentos iremos fazer-lhe companhia. Edward Hosking!

Toca no estúdio a faixa Themata, música de Hosking na Ultimate Wrestling League. Como é costume, a equipa de bastidores aplaude o convidado que já está presente no canto reservado às entrevistas. João Paulo Sousa e Maria cumprimentam então Edward pela primeira vez após subirem o degrau. Sentam-se de imediato e pousam os cartões no colo. Mostram-se intrigados deste um primeiro momento pois a expressão do inglês é capaz de contar milhares de histórias diferentes sem uma repetição.

O lutador traz uma indumentária simples que faz jus ao que mostrou nos vídeos anteriores. Traz uma camisa azul, calças pretas e imponentes botas do mesmo tom negro. É um ar de imponência que contrasta com a sua expressão vidrada e imprevisível neste primeiro momento da entrevista. A sua atenção vira-se imediatamente para João Paulo quando este se inclina na cadeira para fazer a primeira pergunta.


João Paulo Sousa: Já vi que estás confortável e podemos dar início a estas perguntas para nós próprios e os telespectadores em casa consigam perceber melhor as tuas origens, o teu passado e as tuas aspirações futuras na Ultimate Wrestling League. Fala-nos então um pouco das tuas raízes. És natural de Canterbury, correto? Como eram as coisas no teu lar e como te juntaste ao mundo da luta livre em primeiro lugar?

Edward não parece enfadado, mas sim pouco impressionado. Este vira o rosto durante alguns momentos, com a mão no queixo a representar uma expressão pensativa. Este inclina o seu corpo para a frente, sentando-se na beira da cadeira e aproximando-se do apresentador do programa que lhe acabou de questionar.

Edward Hosking: Sabes... Eu não gosto de começar uma relação casual ou profissional com as pessoas de pé esquerdo. Não gosto de lhes dar respostas vazias, cheias de falsidade e falsa abutrice, entenda-se a expressão. Portanto, apesar de estar profundamente grato por esta oportunidade de cá estar, não te vou entregar esta mísera frase como resposta. Reforçando a minha gratitude, digo-te simplesmente que para ganhares a lotaria tens de ter dinheiro suficiente para comprares o boletim.

Sorriso largo do inglês, provavelmente o primeiro que os espectadores atentos da Ultimate Wrestling League viam da sua parte, que finaliza assim a sua primeira resposta de forma inesperada.

MBM (sussurrando): Por acaso esta semana escapou-me...

João Paulo parece intrigado e acima de tudo parece não ter visto com bons olhos uma pergunta demasiado curta de Hosking para iniciar a entrevista. O apresentador vai batendo com o pé na plataforma e aborda o britânico novamente, pedindo justificações claras. Emite um pequeno riso antes de fazer nova questão.

JPS: E agradecemos tremendamente a vontade que demonstraste para estar cá hoje, com tanto a treinar e a fazer com certeza que nos sentimos lisonjeados com a disponibilidade. Mas, então, o que significa essa expressão? Intrigou-me, é verdade. Diz-nos lá.

Com uma expressão reticente, Hosking encosta-se à cadeira e cruza a perna. Dá um gole de água enquanto o par de apresentadores espera e retoma o discurso momentos a seguir.

Edward Hosking: Significa algo simples. E ainda bem que posso estar aqui, para clarificar tudo isso desta forma oportuna. Há que jogar com as pessoas, deixá-las intrigados com tudo o que dizes o que fazes, mostrando também algo que faça amenizar a desconfiança perante qualquer desconfiança. Essa indiferença camuflada na sua cara, Maria — porque acredito que este seja um capítulo mais delicado e portanto mais formal na nossa conversa. A genuinidade da desconfiança e da dúvida presente na sua cara, João. Ambos contam a mesma história e é disso que estou a falar. Felizmente a minha lotaria não tem periodicidade semanal. O meu passado é assim vincado pela dúvida e incerteza acerca de tudo aquilo que eu represento. E claro, o meu regozijo.

Pausa constrangedora. É a mulher do estúdio que toma a iniciativa.

MBM: Disse no seu segundo e último vídeo que não é uma questão de coisas ou de objetos superficiais: não se trata de controlar coisas inanimadas, mas sim pessoas. Controlar e descontrolar. É essa a estratégia da personalidade e do lutador Edward Hosking à entrada para o primeiro combate na UWL?

Novo gole na água. Desta vez mais expedito. Ajeita a camisa à medida que profere as primeiras palavras na nova resposta, a primeira de Maria Botelho Moniz.

Edward Hosking: Eu penso que todos nós durante a vida queremos imprimir isto ou aquilo, mas nunca a mesma coisa. Tudo depende do momento em que nos encontramos, da nossa situação e da vontade perante determinada causa. Eu penso assim. Eu que acompanho pouco futebol sei que os treinadores odeiam que lhes perguntem pelo plano de jogo — ajeita o cabelo emitindo um sorriso cínico à bela apresentadora de 30 anos. E se me permite, não acho correto questionar-me sobre o meu jogo. Até porque jogo há pouco, minha querida. Vou lá para dentro e vou fazer o melhor que sei. Sairei ileso desde que dê o meu melhor. Porém, é inegável que há sempre algo que queremos imprimir. Seja o ambiente mais pacífico possível ou o nosso redor à arder no caos. E a desordem é ironicamente palavra de ordem na natureza humana.

JPS: E que tal Portugal? Foi-nos dito que reside em Portugal há cerca de um ano e que a Ultimate Wrestling League é a primeira oportunidade profissional no país. Até que ponto pode confirmar?

Edward Hosking: Faz demasiado calor no Verão e chove muito mais do que devia no Inverno. E têm alguns a audácia de me chamar bipolar neste país. Inconcebível. Sim, é a minha primeira e provavelmente única oportunidade profissional neste país. Mas que ganhei ao longo dos anos, trabalhando humildemente para conquistar este reconhecimento...

Maria interrompe o inglês.

MBM: Sem querer interromper — não se esqueça do que está a dizer — mas tenho que lhe retorquir diretamente: por humildemente não quererá dizer aliando a sua qualidade no ringue, a qual não estará em questão em nenhum momento, a uma certa capacidade para manipular e controlar quem enfrenta ao longo dos anos? Foi o que nos deu a parecer, sem intenção de o ofender ou criticar os seus métodos ou plano de jogo, como o chama, no último vídeo onde se dirigiu a Cláudio Rosas.

Não só com quem enfrentou, mas com praticamente todas as pessoas que Edward interagiu e abordou ao longo da sua vida. Construiu uma vida e uma carreira na sua inteligência e raciocínio superior. Mas estes não faziam ideia disso.

Edward Hosking: Tamanho desconhecimento, minha jovem. Talvez essa sua reação provenha do facto de esquecer e passar ao lado da vossa pergunta sobre o meu passado, o qual ocultei por ter informação demasiado delicada. Se bem me recordo, fui eu o voluntário para que esta conversa acontecesse neste preciso momento e não imaginaria que estes termos pudessem vir ao de cima. Penso que é tudo uma enorme confusão. Já referi inúmeras vezes o termo controlo, esse sim. Penso que alguém como eu, metódico e aventureiro por natureza, deverá ter o controlo sobre os vários aspetos da sua vida. Se isso implica controlar algumas pessoas para que estas não me abordem ou explorem de forma errática? Claramente. Mas manipulá-las? Obviamente que não. Nunca. Jamais. E não me agrada que esta minha visão seja levada para a secção de comportamentos erráticos.

Surpreendidos com o comprimento e dicção do inglês nesta pergunta, os apresentadores olham-se nos olhos e vêm os seus cartões em busca de uma das últimas respostas deste bloco que não vai correndo da melhor forma possível para esta dupla.

JPS: Acima falamos do seu adversário, o Cláudio Rosas. Ontem o mesmo indivíduo apareceu a público pela primeira vez num segmento onde, rodeado de mulheres, o lutador com historial do panorama da luta livre portuguesa lhe chamou de, e passo a citar, "gajo estranho". Terá este apelido e afirmação uma justificação plausível?

Agora muito sereno e calmo, Edward acaba por dar os últimos goles na água e pousa imediatamente o copo em cima da mesa de forma brusca, contrastando com a sua aparente imagem de tranquilidade.

Edward Hosking: Pensei que estivesse a falar de alguém da sua família. Não dei importância. Não me considero estranho, mas sim alguém organizado e metódico que se regozija ao ver o mundo a seus pés, figurativamente claro. Tudo isto para dizer que devemos ser ambiciosos e lutar pelo que gostamos. Aliás, lembro-me que o único gajo estranho que vi ultimamente foi justamente o João Paulo a dançar com um fato de bailarina aqui no estúdio, a semana passada. Sabes, nunca tive o meu pai para me ensinar coisas sobre a vida. Ele desapareceu da minha vida antes de eu nascer. Mas certamente me ensinaria a nunca fazer algo do género.

Edward ri-se quase à gargalhada, quase que como a troçar de João Paulo Sousa que cora e se parece esconder na cadeira, se bem que com um sorriso ligeiro que se vai expandindo numa gargalhada tímida, mas gradualmente mais forte.

MBM: Não me diga que viu em direto?

Ainda a rir-se, o inglês responde com algum esforço.

Edward Hosking: Mandei um amigo muito especial observar os últimos programas. Sei que mais cedo ou mais tarde aqui estaria, honrado com a vossa presença neste maravilhoso estúdio. Mas sempre com receio deste gajo estranho!

Controlando o riso, todo ele forçado mas maximamente bem forjado, Edward endireta-se na cadeira e volta a cruzar a perna numa altura em que restava tempo para apenas uma última pergunta. João Paulo tentava conter ao máximo o riso.

JPS: Edward, para finalizar. Aproxima-se o primeiro evento da companhia que terá uma agenda muito requisitada em 2014... qual é o lema, o método e a meta até ao final do ano? Qual é a ambição?

Edward Hosking: Jogo a jogo, está claro. Sem nunca revelar nada que possa comprometer a minha perícia tática, claro está. Quero deixar transparente que foi um prazer estar aqui diante de vós e nesta magnífica estação, claramente a maior potência em termos nacionais! E espero no futuro passar mais tempo convosco. À Maria desejo todas as maiores felicidades profissionais, que efetivamente consigas controlar a tua vida no futuro.

Respondida a última pergunta e dada esta pequena declaração final, uma ronda de aplausos para Maria Botelho Moniz por todo o estúdio, incluindo a equipa de bastidores. O sorriso na cara de Hosking varia entre o cínico e o indiferente enquanto a própria apresentadora está pronta para as considerações finais.

MBM: Foi esta a entrevista com o inglês da Ultimate Wrestling League, Edward Hosking! Não se esqueça que poderá acompanhar o primeiro Monday Night Kerosene na MEO Arena no próximo dia 5 de janeiro e, claro, na sua SIC Radical a partir das 22h! Edward Hosking está no cartaz e irá defrontar a bomba latina Cláudio Rosas! Fiquem por aí, voltaremos com a 3ª parte do último CC All Stars de 2014 após um muito breve intervalo!

É à medida que a apresentadora pisco o olho para os telespectadores, em sinal de simpatia, que a imagem se vai afastando e desfocando do pequeno espaço onde foi realizada a entrevista há momentos. A última imagem realmente visível é de Edward e dos apresentadores a levantarem-se.

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Shotgun Eddy

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