Deus perdoe os cegos

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Deus perdoe os cegos

Mensagem por Shotgun em Ter 06 Jan 2015, 20:30


Primeiro desafio superado com mestria. A câmara volta a mostrar o escritório de Edward Hosking, nesta ocasião com menos luz do que o habitual. Vemos apenas parte da sua cabeça, sendo que o mesmo tem as costas da sua imponente cadeira viradas para a câmara. Ouve-se apenas as suas botas a pisar o chão de forma consecutiva. Está portanto um ambiente diferente, sombrio.

O inglês vira-se logo de seguida e é razoavelmente visível uma marca negra no seu rosto, perto do olho esquerdo, porventura fruto da sua estreia na Ultimate Wrestling League contra Cláudio Rosas. O britânico passa então a mão na malha e sorri timidamente numa altura em que se aproxima da mesa onde está pousada a câmara.


Edward Hosking: É sim verdade que sem sacrifício não há sucesso. Não é, amigos? Esta marca perfeitamente irrelevante é incomparável à mágoa de Cláudio Rosas nesta altura. As suas marcas não são apenas exteriores e isso é fácil de desvendar. Mais um desgosto, um dia que correu mal, um falhanço que faz jus a toda a sua carreira. O seu prazo continua expirado.

Após esta curta mensagem dirigida a Rosas e aos seguidores da federação, o inglês ajeita-se na cadeira e de forma instantânea retira o sorriso do rosto, mantendo agora uma expressão reinada pela seriedade e quiçá até alguma raiva.

Edward Hosking: Pois na vida há sempre inconvenientes. Os cegos que se colocam no meu caminho e não cheiram o perigo nem ouvem a voz da razão a tentar tirá-los da desgraça. Porque sempre ouvi dizer que os cegos têm os outros sentidos mais apurados para compensar a merda que Deus fez e foi demasiado orgulhoso para desfazer. Porém, o primeiro cego está marcado. E ficou longe.

O semi-finalista do Masters of the Mat que irá coroar o Undisputed Champion da UWL levanta-se e começa a andar lentamente pela divisão que se pressupõe ser de sua casa, levantando agora o tom de voz e discursando mais agressivamente.

Edward Hosking: Para completar um bom campo de ideias há que apresentar contrastes, contrastes esses que dissecam a essência da incompetência. E há que falar em dois! Dois cegos! O primeiro não viu por onde ia. O segundo parece ter sentidos mais apurados. Sabe onde se mete. É pouco inteligente, portanto. Ambos partilham pontos comuns: são controlados pelo descontrolo! Cláudio Rosas, mais conhecido pelo mulherengo que levou uma tareia, é personificado pelos seus públicos falhanços pessoais.

Mais alto, de forma ainda mais agressiva.

Edward Hosking: O pseudo-treinador Michael Estefari teve-os bem grandes para me abordar. Sabia para onde ia! Mas rapidamente abandonou o ringue, mentalizando-se finalmente que a ousadia foi desmedida. Um desertor.

O britânico acaba por acender as luzes da sala na sua totalidade. Pela primeira vez o ambiente que o rodeio é perfeitamente visível. O mesmo continua a andar à volta da sala, mas olha regularmente para a câmara tentando gerar um maior impacto nas suas palavras.

Edward Hosking: Todo o cobarde erra, mas presumo que não seja a primeira vez...

Uma gargalhada, algo raríssimo no inglês.

Edward Hosking: O auto-intitulado treinador da vida que nem a sua própria controla! Mas agora está na hora de elevar as coisas para outro patamar, não estamos corretos?

Com a sala totalmente iluminada, Hosking volta à sua cadeira sentando-se confortavelmente e aproximando-se da câmara que a determinada altura só lhe foca o rosto.

Edward Hosking: Repara, old sport. Ignora tudo o que te rodeio e ouve-me. Ouve todas as letras desta ideia que é clarificar o que quer que se passe aí. E compreendo que apesar de tudo não seja fácil compreender e reter as palavras de um perfeito oposto. É irónico; eles costumam atrair-se para fins benéficos. Trágico que desta feita esse não é o caso. O destino é mesmo filho da puta... old sport.

O lutador passa a língua nos lábios, porventura pensando nas suas frases seguintes. Frente-a-frente com a câmara, com um olhar de contar mil histórias e depois mais uma, prossegue então a sua mensagem a Estefari.

Edward Hosking: Na próxima segunda-feira o destino - O MEU DESTINO! - ditou que se iriam enfrentar dois indivíduos completamente distintos. Não será novidade dizer que me movo pelo controlo pois a ordem é a chave para a estabilidade e, consequentemente, a felicidade. O bem-estar. Algo que não sei se existe em ti, companheiro. Quando te vi fugir... reparei na insegurança. Na incerteza. Os fãs a que apertaste a mão não passavam de adereços para disfarçar o medo. A vergonha. Este contraste diz tudo o que é possível. As interpretações são infinitas mas todas acabam no mesmo ponto final. Mas todas estas palavras, lamento... presumo que nesta altura estejas farto de rodeios.  Se me permites, claro, irei diretamente ao assunto da forma mais clara possível.

Levanta-se e debruça-se sobre a mesa numa explosão de ódio.

Edward Hosking: Dos dois, apenas UM! Apenas UM! Apenas UM conhece a realidade adequada. Inútil lutar com um cego que Deus teve pena de desfazer. Porque, convenhamos: será em vão lutar com alguém que conhece o adversário melhor que este se conhece a si próprio. Escusado bater-se com alguém que calcula os próximos passos do adversário mais rápido que ele próprio. Numa batalha de controlo contra o caos, a ambição e a busca em vão...

Após elevar imenso o tom de voz, estando já de pé, Edward senta-se devidamente e faz uma pausa de alguns seguidos. Segue-se um longo suspiro por parte do britânico.

Edward Hosking: EU serei campeão. EU materializarei a minha superioridade absoluta perante o resto. EU farei de todos marionetas, controlando e manipulando-as a belo prazer até ao último instante. Porque quem interessa sou eu, old sport.

Hosking levanta-se pela última vez, abandonando a sala de forma lenta, mas não sem antes proferir algumas considerações finais a caminho da porta.

Edward Hosking: Porque lá dentro, antes de marionetas, são pedras no sapato e irão sucumbir um... por... um. Para ti, old sport, acabaram-se os rodeios. E perdoa-me as minhas pobres maneiras.

A porta abre-se e fecha com enorme estrondo. A câmara sucumbe ao tremor e cai no chão.
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Shotgun Eddy

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