Por trás de cada grande homem,

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Por trás de cada grande homem,

Mensagem por Fenomenal em Qui 08 Jan 2015, 18:43

São 20:59, a hora da conferência de imprensa com a participação de Natália Oliveira, que a Ultimate Wrestling League anunciou e a própria se encarregou de publicitar no seu Twitter aproxima-se a passos largos.

De resto, toda a atmosfera do auditório do VIP Grand Lisboa Hotel & SPA transparece que a conferência está por demais iminente. As cadeiras do lado do público estão todas ocupadas, e não só por membros da imprensa portuguesa e internacional, mas também por fãs, quer de Mixed Martial Arts como de Wrestling, que corresponderam ao anúncio da UWL.

Há até imensas pessoas em pé na sala, fãs que não conseguiram um lugar sentado. É raro abrir-se uma conferência de imprensa desta forma ao público, mas o staff da Federação achou por bem fazer uma excepção, talvez pelo modo como aquela sala cheia transmite o sucesso da mais recente companhia de Wrestling na Europa.

E é importante não esquecer, estavam membros dos media norte-americanos, brasileiros e de vários países europeus presentes naquela sala. Com todo o projecto de internacionalização à volta da UWL, não se podia perder uma oportunidade para impressionar os forasteiros e enviar uma mensagem.

No ar paira um burburinho contínuo, resultado das trocas de impressões que vão havendo no seio dos espectadores do evento. Os técnicos estão junto à mesa onde os oradores irão falar, fazendo os últimos testes aos microfones e ao restante material de som, procurando garantir que durante o evento não exista qualquer momento de embaraço.

Algumas câmaras já estão a filmar, com os jornalistas a fazerem o anúncio do evento ao vivo. A própria hora do evento não foi escolhida ao acaso, era hora de Telejornal nos canais públicos, e o objectivo da UWL era invadir as mesas de jantar dos portugueses pelo país fora.

Batem as 21 horas e a porta principal do auditório abre-se. O burburinho desaparece de imediato. As câmaras que estavam a filmar focam-se na entrada. Três pessoas entraram na sala. Uma delas, a que caminha à frente, é Eduardo Santos, ex-lutador da Vanguarda da Luta Livre e actual road agent da UWL. Este aparece bem vestido, com um fato clássico preto, combinado com uma camisa branca. O seu cabelo longo está bem penteado, a sua expressão é de uma seriedade absoluta. Todo ele transpira profissionalismo.

Atrás dele vem o principal foco do evento, Natália Oliveira, ex-lutadora portuguesa de MMA com uma carreira incrível a nível internacional, e mulher de uma das mais recentes contratações da UWL, Alexandre Torres. Vem com uma vestimenta desportiva, um par de ténis, calças de treino com um padrão militar, e um casaco desportivo negro, com capuz. Ela caminha com uma postura muito direita, resultado talvez dos três anos que passou no exército português antes de se iniciar na MMA. A forma como vem vestida contrasta com o ambiente daquele evento, mas não deixa de ser apropriado, tendo em conta que ela é quem é.

Por trás dela, um homem quarentão, com um pouco de barriga, também de fato. Um ilustre desconhecido, um ponto de interrogação. Os três dirigem-se à mesa dos oradores, de onde os técnicos já se afastaram, e cada um se senta numa cadeira. O silêncio permanece na sala, até que Eduardo Santos se chega à frente, agarrando no seu microfone e preparando-se para falar.


Eduardo: Boa noite a todos, membros da imprensa, fãs da Ultimate Wrestling League e do Wrestling e desportos de combate em geral, pois acredito que todo este público esteja a assistir a esta conferência de imprensa com interesse, não fosse a nossa convidada quem é. Quero agradecer desde já a presença de todos vocês aqui neste auditório, é bom ver a sala cheia e tenho pena que alguns de vocês tenham, inclusivamente, de ficar de pé durante o evento. Parece que a UWL cresceu ainda mais rápido do que aquilo que esperámos e, por isso, agradeço-vos. É óptimo ver que desde tão cedo conseguimos conquistar uma massa de fãs tão fiel.

Eduardo faz uma pausa no discurso e nesse compasso de espera ouvem-se alguns aplausos pela sala, de fãs agradecidos pelas suas palavras. Depois, é o quarentão a tomar a palavra, repetindo as palavras exactas de Eduardo Santos, não em português, mas sim num inglês de muito boa fluência. O mistério está resolvido, aquele homem tratava-se do intérprete.

Eduardo: Não me vou alongar muito, sei que não sou o centro deste evento e que não é a mim que querem ouvir falar. Estou aqui com um outro propósito, o de apresentar esta mulher, esta atleta, que tenho aqui ao meu lado: Natália Oliveira, uma das maiores lutadoras de MMA nos últimos anos, com uma carreira internacional notável, que levou o nome de Portugal a ser falado por entre os fãs de desportos de combate por todo o mundo e, é com muito prazer que anuncio isto, uma das minhas novas colegas na Ultimate Wrestling League.

Santos faz uma nova pausa no discurso, dando novamente a palavra ao intérprete. A sua última declaração criou algum alvoroço na sala. Alguns fãs não conseguiram evitar saltar das suas cadeiras após o anúncio ou erguer os braços no ar, em sinal de felicidade. Os membros dos media quase que se roem, tal é a vontade de começar a disparar perguntas.

Eduardo: É verdade, que as dúvidas se dissipem, é oficial: a Ultimate Wrestling League assinou contrato com Natália Oliveira. Obviamente, não falo de um contrato como lutadora, mas verão a Natália como presença recorrente nos nossos espectáculos e nas nossas promoções televisivas e online. Bem…não quero gastar mais tempo de antena, Natália passo-te a palavra.

Natália sorri tanto para a multidão diante de si, como depois em particular para Eduardo Santos, como que lhe agradecendo silenciosamente pelas palavras. Depois, assim que o intérprete termina a sua tarefa, lança-se ao microfone.

Natália: Agradeço-te, Eduardo. Tenho a dizer que para mim é uma honra e um orgulho poder fazer parte deste projecto. Sinto que encaixa comigo e não pensei muito antes de assinar. Sinto que eu e a UWL temos algo em comum. Isto é, a UWL é sem dúvida alguma um projecto ambicioso, que vai procurar o crescimento constante, que não se vai contentar nunca com o que tem no momento. Eu partilho esta visão, esta filosofia, é a que emprego na minha própria vida. É graças a ela que consegui o sucesso que consegui na MMA. E é com essa mesma ambição que vou encarar este meu mais recente desafio, num desporto que me é novo e numa posição em que me estreio, como treinadora e manager do meu marido, Alexandre Torres. Prometo a todos que trabalharei tão arduamente para garantir o sucesso do Alex na UWL, como trabalhei para alcançar os meus próprios feitos nas Mixed Martial Arts.

Toda a gente ouve com atenção as primeiras palavras de Natália Oliveira. Alguns membros da imprensa vão escrevendo notas nos seus blocos. Escusado será dizer que o intérprete volta a fazer o seu trabalho, e por esse motivo este narrador não tornará a fazê-lo.

Eduardo Santos: Agradeço-te também, Natália, é bom ver que olhas para este projecto com a seriedade e o profissionalismo de sempre, nós na UWL não esperaríamos nada diferente vindo de ti. Mas bem, desta é que me calo de vez. Peço aos membros da imprensa para exporem as suas perguntas à Natália de forma ordeira e aos fãs para se manterem silenciosos, se fizerem o favor.

Apesar do pedido de Eduardo Santos, os jornalistas saltam uns por cima dos outros, procurando conseguir a primeira pergunta e consequentemente a primeira resposta de Natália Oliveira. É um homem muito branco, na fila da frente, que acaba por o conseguir.

Jornalista 1: Natália, I’m Mark Johnson from Sky Sports News and my question for you is the following: Is it true that your fighting career is, indeed, over? Or the fact that you signed with UWL means that when you return to the ring it will be in a new sport, that is Wrestling of course, here in Portugal?

Natália sorri para a plateia.

Natália (num tom simpático): Bem, creio que é claro que esta conferência de imprensa não foi feita para falar de mim, mas sim do meu marido, que hoje não está aqui presente. Mas como sei que o senhor e outros fizeram quilómetros e quilómetros para aqui estar, e que preciso de fechar em definitivo todo este assunto em redor da minha carreira, vou mostrar o devido respeito e responder à pergunta.

A expressão facial de Natália altera-se, fica mais séria.

Natália (num tom de maior seriedade): A decisão dos médicos quanto à minha situação clínica foi clara e definitiva. Não tive nem uma, nem duas, nem três opiniões, e no entanto todos os especialistas que consultei mostraram consonância no seu parecer. A minha carreira de lutadora terminou, seja em MMA ou no Wrestling profissional, voltar a entrar num ringue e combater é um risco que não posso correr. Isso é algo que me dói, claro. Lutar foi a minha vida nos últimos anos e foi algo que sempre amei, mas não olho para este infeliz contratempo apenas com negatividade. Fecha-se uma porta, abre-se uma janela, é o que se costuma dizer. Na UWL tenho a oportunidade de conhecer uma nova modalidade e de me estrear numa nova função: a de treinadora. Por isso, não estou triste, mas sim contente, pronta para extrair o máximo que possa desta minha primeira experiência como treinadora e ansiosa pela primeira aparição do Alex no ringue.

Mark Johnson parece ter gostado da resposta, à semelhança de todos os presentes no evento. A próxima pergunta não tarda em ser disparada.

Jornalista 2: Daqui fala Carlos Morais, do jornal OJOGO, a minha questão é a seguinte, Natália…eu fiz uma pesquisa acerca do teu marido, Alexandre Torres, que dentro deste meio é um ilustre desconhecido e confirmei que esta será a sua estreia a um nível profissional no mundo dos Desportos de Combate. Está certo que praticou Jiu-Jitsu Brasileiro, Karaté, e até Wrestling na Academia de Ricardo Soares, mas as suas passagens foram sempre fugazes e nunca atingira o nível de competição. Como treinadora como olhas para este facto? Sentes que haverá um caminho especialmente longo a percorrer?

Natália: Sinceramente, não, de maneira alguma. Sendo o mais honesta possível, creio que sou uma sortuda por poder ter alguém como o Alex como meu primeiro aluno. É verdade que ele nunca combateu num nível competitivo ou profissional, mas se tivesse contactado com qualquer um dos seus treinadores dele nessas modalidades – não sei se o terá feito ou não – certamente que eles diriam todos o mesmo. Sim, o seu tempo com o Alex pode ter sido breve, mas não foi por isso que ele não deixou a sua marca. Qualquer um deles diria que o Alex queimou etapas a uma velocidade surpreendente, que era um talento natural, e um dos atletas que mais o terá impressionado durante a carreira. Digo isto porque convivo pessoalmente com este homem diariamente, porque conheço a sua História e sei do que é capaz. O Alex é um daqueles casos raros de alguém que parece ser maior do que o próprio mundo, que aparenta ser quase sobre-humano, o protótipo de um atleta perfeito, um daqueles casos que só aparecem uma vez em cada cem anos. Sou capaz de dizer, sem vergonha, eu, pessoalmente, invejo o talento do Alex.

O burburinho volta à sala, mais intenso do que nunca. Independentemente das palavras de Natália Oliveira serem ou não verdade, elas tiveram o efeito pretendido, o foco deixou de estar nela para estar em Alex Torres. Toda a gente naquele auditório quer agora saber mais sobre ele. E salta mais uma pergunta.

Jornalista 3: Daqui José Pedro, em directo da SIC. A Natália está a pôr as expectativas altas para o seu marido e aluno, pode-nos falar um pouco do seu estilo de combate?

Natália: Claro. Digo desde já que o Alex Torres é o adversário que ninguém gosta de ter do lado oposto do ringue. Porquê? Porque é absolutamente imprevisível, o que torna impossível prepararmo-nos para um lutador como ele. Falou-me de estilo, quer saber qual o estilo do Alex...Bem, ele não tem um estilo fixo, não se pode dizer que é um lutador técnico ou um striker, por exemplo. Ao invés disso, tem um estilo próprio que combina um pouco de tudo. Sendo o atleta completo que é, ele é capaz de se adaptar perfeitamente a um combate mais lento, travado no tapete, como o meu conhecido Gabriel Paquet, ou a uma disputa mais veloz, como Chris Wickings. Tem uma perfeição técnica sem igual, capaz de aplicar as manobras mais simples com tal rigor que deixa os adversários praticamente sem saída, uma agilidade impressionante, e uma força surpreendente para alguém que aparenta ser franzino. O seu arsenal é variadíssimo e consegue atacar o oponente de qualquer ângulo, das mais diversas formas.

Novamente um burburinho imenso na sala. Pelo auditório fora já sem ouvem coisas como “Se ele é assim tão bom, só pode ser um futuro campeão.”

Jornalista 4: Alberto Andrade, em directo da SportTV. Boa noite, Natália, a minha pergunta é a seguinte. No que toca a títulos quais serão as ambições de Alexandre Torres na Federação? Pelo que falas, ele será um enorme talento e uma excelente adição ao actual plantel da UWL. Sentes que se tivesse entrado uns dias mais cedo na Federação ele seria um candidato a vencer o Torneio “King of the Mat”, que está a decorrer, e a se tornar o primeiro campeão principal da Empresa?

Natália: Não tenho qualquer dúvida de que seria um candidato. E acrescento, o próprio nome desse torneio encaixa com aquilo que eu considero que o Alex seja. “Masters of the Mat”, o mestre do tapete, do ringue. Num tempo como aquele em que estamos, em que os lutadores têm que ser cada vez mais versáteis, o Alexandre Torres tem tudo para ser considerado o mestre do tapete, ou do ringue, na UWL a curto prazo, e a níveis mundiais futuramente. Sei que o que vou dizer a seguir é arriscado e pode chocar os mais sensíveis, mas para mim, o Alex já é hoje, ainda antes de se estrear, um atleta puro superior aos melhores que já passaram por Portugal. Melhor do Kevin Gunn ou o próprio Vinícius Nunes. Mas no que toca a títulos..? Não creio que eu e o Alex façamos deles um objectivo pessoal na sua carreira. Pessoalmente, espero que eles surjam com naturalidade. Vamos procurar a excelência e com ela aparecerão as recompensas.

Os presentes vão ficando mais e mais ansiosos com a estreia de Alexandre Torres cada vez que Natália dá uma resposta carregada de elogios ao seu marido e aluno.

Jornalista 5: Daqui Francisco Seixas, do MaisFutebol. Natália, tu falas do Alex como se este fosse o exemplo perfeito de um atleta puro, mas nesta Federação também existe um título Hardcore. A minha questão é…então e esse título em particular, crês que poderia encaixar no perfil dele ou será algo para pôr de parte?

Natália: Verdade que, pelo menos à primeira vista, não será um título apropriado para alguém como o Alex. Mas isso não quer dizer que não pudesse ser um desafio aliciante ou que é um cinturão que não merece respeito da nossa parte. Sinceramente, até é algo que me deixa com alguma curiosidade. Afinal, se o Alex consegue ser tão inovador e imprevisível na sua ofensiva em contendas ditas normais, do que é que ele não seria capaz de fazer quando pudesse usar todo o meio-ambiente à sua volta como uma arma? É daquelas perguntas que me deixam com água na boca à espera da resposta.

A plateia volta a regozijar-se com as palavras de Natália, que parece ter ser uma resposta prepara na ponta da língua, que exprime com eloquência. Eduardo Santos sorri perante os resultados óbvios desta conferência de imprensa.

Jornalista 6: Marco Gonçalves, em directo da RTP1, falando aqui. Natália, depois de tudo o que disseste creio que toda a gente aqui no auditório e, também em casa, está neste momento com a mesma pergunta na mente, e é essa pergunta que eu te quero fazer. Para quando a estreia em ringue de Alexandre Torres? Irá ele aceitar o desafio aberto de James Brandão?

Quase todos os que estão sentados nos lugares da plateia se curvam todos para a mesa dos oradores, ansiosos por esta resposta, aguardando mais um grande anúncio.

Natália: Essa pergunta não é a mim que tem que ser feita, mas sim ao meu marido. Eu sou e serei a sua treinadora, e acompanhá-lo-ei ao ringue, tentando dar-lhe sempre as indicações necessárias para que ele consiga ter a melhor performance possível cada vez que combata, mas não sou, nem serei, de forma alguma a sua consultora ou conselheira pessoal. As decisões fora do ringue ficam com ele, nesse aspecto ele é que saberá como quer gerir a sua carreira. Eu, para já nada sei. Tudo o que vos posso dizer é que ele poderá, ou não, combater contra o James no próximo Kerosene.

A plateia parece agora, algo desiludida com as palavras de Natália Oliveira, não obtiveram a resposta que ansiavam. Eduardo Santos olha para o seu relógio de pulso e agarra o microfone que tem diante dele.

Eduardo: Bem, parece que o breve tempo de antena que tínhamos está prestes a terminar. Queria apenas reforçar os meus agradecimentos a todos vocês aqui presentes e à grande Natália Oliveira. Um grande obrigado a todos e não percam o próximo Monday Night Kerosene, onde, quer ele combata ou não, poderão ver, pela primeira vez, o protótipo do atleta perfeito, Alexandre Torres.

As palavras de Eduardo são recebidas com aplausos. Este, o intérprete e Natália Oliveira, levantam-se e trocam cumprimentos e palavras elogiosas. Natália sussurra algo Eduardo Santos, que segundos depois, anuncia entusiasticamente aos fãs presentes na plateia que a ex-lutadora de MMA se prontificou a dar autógrafos a quem o bem quisesse. Os fãs, claro está, correspondem com uma alegria imensa.
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