Falas de Más Linguas

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Falas de Más Linguas

Mensagem por CChris em Dom 11 Jan 2015, 17:45

Estamos no escritório do presidente da UWL, Bruno Pavão. O mesmo, no seu caro fato, com uma camisa branca por baixo e gravata a condizer, andava um pouco atarefado com os preparativos para o próximo Kerosene. O mesmo estava sentado atrás da sua secretária, com o seu portátil em cima desta, ligado e algumas resmas de papeis espalhadas, contratos, patrocínios mais sabe-se lá o que. De repente, Joana, a secretária de Pavão, contata-o.
 
Joana: Sr. Presidente, está aqui o senhor da reunião que tem agendada para agora.
 
Pavão: Mande-o entrar, Joana. Obrigado.
 
Pavão organiza rapidamente o que tem em cima da secretária, juntando todos os papéis e colocando-os todos num grande monte. A porta abre-se e, quem entra, é Chris Wickings, o jovem inglês, excêntrico, que fez a sua estreia na UWL esta passada segunda-feira, perdendo para Henrique Coelho. Bruno Pavão levanta-se da sua cadeira de cabedal em que estava sentado, esticando a mão para cumprimentar Chris que retribui o cumprimento.
 
Pavão: Mr.Chris, que bom que é recebe-lo no meu escritório. Prefere que eu fale Português ou Inglês?
 
Chris: Hello Mr. President, i would prefer to talk English, if you don’t mind.
 
(Nota: a partir daqui, toda a conversa vai acontecer em inglês, mas, para melhor compreensão da comunidade, irei traduzir para Português.)
 
Pavão: Ok, então assim o faremos. Sente-se por favor.
 
Wickings assim o faz, senta-se numa das cadeiras que estava do outro lado da secretária de Bruno Pavão. Este estava vestido com um longo casaco preto com botões, umas calças de ganga escuras e umas botas altas, também elas negras. O seu característico cabelo, negro e vermelho, estava apanhado atras fazendo um pequeno rabo de cavalo e, a sua barba, esta a ficar com um bom tamanho, nota-se que não é desmazelamento mas sim gosto pessoal.
 
Chris: Então diga-me, Sr. Presidente…
 
Pavão (interrompendo): Por favor, estamos os dois sozinhos, trata-me por Pavão.
 
Chris: Ok, Sr. Pavão, diga-me então, porque é que decidiu convocar esta reunião comigo?
 
Pavão: É assim, Chris, eu ouvi dizer que tu, num dos teus vídeos que publicaste no site da UWL, decidiste afirmar que não irias falar Português em qualquer circunstância, mesmo que isso beneficia-se a compreensão do público da UWL. É verdade?
 
Chris: É sim. E deixe-me explicar-lhe desde já o porque. A UWL é uma empresa internacional, que tem aspirações de ser reconhecida mundialmente, é por isso que contrataram nomes como eu, por exemplo. Como quer você, Sr. Pavão, ser reconhecido internacionalmente, se continua a transmitir os shows numa língua que não é reconhecida e compreendida pela população mundial? Ao contrario disso, o Inglês é reconhecido e compreendido em todo o mundo, é uma língua suprema que comanda o mundo.
 
Pavão: Ou seja, estás a dizer que a língua portuguesa é fraca. Assim como disseste que o povo português é fraco.
 
Chris (com um pequeno sorriso na cara): Sr. Pavão, tem que compreender que eu utilizo certas táticas para obter reação do seu público, do público da League. Se eu que tiver que ofender algumas pessoas para obter a reação que quero, assim o farei.
 
Pavão: De qualquer das formas, tu afirmaste ser melhor que qualquer Português dentro daquele ringue. Sinceramente, eu próprio estava a espera disso. Quando te contratei, prometeram-me que eras o melhor que o solo Britânico tinha para oferecer. Mas, chegas cá e perdes o teu primeiro combate…
 
Wickings fica um pouco desconfortável com esta ultima frase de Pavão. Este sabe que falhou no último Kerosene, este sabe que deveria ter ganho, mas não consegui-o.
 
Chris: Contratempos acontecem. Sim, Coelho derrotou-me no combate. Sim, eu fiz um erro que me custou caro. Eu desisti perante um lutador que eu considerava mais fraco que eu, mas a verdade é que não era. Subestimei o Coelho e ele fez o que tinha a fazer, surpreendeu-me e derrotou-me.
 
Chris olha um para o lado, como que pensando intensamente na sua próxima frase. Volta a olhar para Pavão, olhos nos olhos, para este sentir com emoção o que ele queria dizer.
 
Chris: Mas foi a primeira e ultima vez que isso aconteceu, Pavão. Foi a primeira e ultima vez que eu fui surpreendido. Foi a primeira e ultima vez que alguém se superiorizou a mim porque eu não lhe dei o valor devido. Fique a saber que a partir de hoje vou levar cada combate como se for o meu último, assim como o fazia no início da minha carreira quando, essa era uma realidade. Quando comecei a lutar, a minha dependência de substâncias era tão grande que cada combate poderia ser o último, poderia colapsar no ringue ou nem sequer chegar a começar o combate. Hoje, estou mais que limpo, não tenho desculpa. O que aconteceu na segunda, foi erro meu. O que acontecer daqui para a frente, vai ser a minha glória.
 
Bruno Pavão escutava atentamente todas as palavras de Wickings. Este estava um pouco agitado depois do discurso que acabou de dar, mas Pavão este pávido e sereno durante todo ele. Pela primeira vez, Pavão mostra alguma linguagem gestual, chegando-se para a frente na sua cadeira e colocando os braços em cima da mesa, fazendo como que um triangulo com as mãos.
 
Pavão: Sabes que mais, Chris… esse discurso, eu já o ouvi vezes e vezes sem conta. A desculpa das drogas, o “esta derrota foi um erro e daqui para a frente vou vencer”. Eu perdi a conta à quantidade de lutadores que chegaram aqui com esse tipo de discurso, e o seu destino, foi todo igual. O Falhanço, o esquecimento, o abismo.
 
Chris baixa a cabeça enquanto ouve as palavras de Pavão.
 
Pavão: Muitos foram aqueles que entraram pelas portas dos meus escritórios a dizerem que seriam os melhores, mas poucos foram aqueles que saíram, foram para o ringue e mostraram-me isso mesmo. E aqueles que o provaram, são aqueles que conseguiram realmente ter sucesso neste mundo. Tu? Tu não és nenhuma super-estrela, Chris. Tens potencial para isso, mas não o és. Por isso, deixa-te de desculpas e faz aquilo para que te contratei e luta. Porque, assim como eu já disse a uns colegas teus, quem não me apresentar resultados, vai para o olho da rua.
A sala fica em silêncio durante alguns segundos. Wickings contínua de cabeça baixa a pensar naquilo que lhe foi dito. Pavão espera uma reação deste. Entretanto, a romper o silencio de forma agressiva e sem aviso, Joana, a secretaria de Pavão, liga-lhe.
 
Pavão: Diz Joana.
 
Joana: É para avisar que o outro senhor acabou de chegar.
 
Pavão: Ok, diz para ele ficar a porta que eu chamarei quando ele for preciso.
 
Chris levanta-se da sua cadeira e prepara-se para sair.
 
Pavão: Onde pensa que vai? Esta reunião ainda não acabou.
 
Chris: Tem mais alguém à espera, não vou tomar mais do seu tempo.
 
Pavão: Essa pessoa faz parte desta reunião, mas ainda não chegou a altura de ela entrar em cena.
 
Chris fica curioso e confuso ao mesmo tempo. Este volta-se a sentar na cadeira e espera que Pavão prossiga.
 
Pavão: Diz-me uma coisa Chris, o teu pai é o famoso Aaron Wickings, certo?
 
Chris: Infelizmente, sim, é.
 
Pavão: Sabes, eu conheço o teu pai. Não tenho nada a ver com a tua relação com ele, até porque a minha relação contigo é profissional, nada mais. Eu sou o teu patrão. Mas, não deixo de ter uma relação de amizade com o teu pai. Um excelente homem de negócios.
 
Chris: O meu pai? Se me permite, ele não passa de alguém que apenas tem amor-próprio, não se importa com mais ninguém sem ser ele mesmo. Nem com o próprio filho.
 
Pavão: É a tua opinião enquanto filho. Mas, eu falei com ele em relação à tua vinda para a UWL. E entre muitos assuntos que falamos, saltou a conversa o facto de tu te recusares a falar Português. Ele disse que seria de esperar, ou não fosses tu um Wickings. O sentimento de superioridade em relação aos outros faz parte da tua família.
 
Chris: A diferença é que, enquanto o meu pai se acha, eu sou mesmo.
 
Pavão: É discutível. Mas, continuando, ele propôs-me algo bastante interessante. Apesar da tua teoria sobre a internalização da minha empresa e da língua que transmitimos ate ter a sua base de fundamentos, por agora, estamos a focar-nos no mercado Português, por isso, terás que ter alguma maneira que comunicar com o povo Português. Recusas-te a falar Português, certo?
 
Chris: Sim.
 
Pavão: Então, Chris, deixa-me apresentar-te ao teu novo Tradutor. Esta pessoa irá acompanhar-te e traduzir tudo aquilo que tu dizes para Português nos shows da League.
 
Chris (espantado): O que? Eu terei que andar com um emplastro atras?
 
Pavão: É a tua única hipótese. Ou isso, ou falas Português. Sempre podes te demitir, como é claro, mas ambos sabemos que não vais fazer isso.
 
Wickings fica de pé atras em relação a esta situação, mas acaba por aceitar visto não ter outra alternativa.
 
Pavão: Como estava a dizer, deixa-me apresentar-te ao teu novo Tradutor…
 
Um homem, nos seus sessenta e poucos anos, entra na sala neste momento. O senhor, vestido elegantemente com um fato e gravata, tinha o cabelo grisalho e sapatos bem engraxados. Ele trazia um brasão bordado no seu fato negro… o brasão da Casa de Wickings.
 
Pavão:… Thierry Hermes!
 
Hermes, mordomo da Casa de Wickings. Ele cuidou de Chris durante toda a sua vida mas, os dois nunca tiveram a melhor das relações. Hermes sempre foi a figura paternal que Wickings não conseguiu ter, visto o seu pai estar sempre fora por causa dos negócios da família. Recentemente, Hermes e Wickings tiveram um confronto em Exeter, dentro de um carro, quando Hermes alertou o jovem inglês que o seu pai queria que este queria que Chris renuncia-se ao seu nome.
 
Chris (visivelmente incomodado com a presença de Hermes): Nem pensar! O meu pai que nem pense que vai tentar controlar a minha carreira!
 
Pavão: Chris, pensa. Ou isto, ou falares Português… ou ficares sem emprego. Qualquer uma das situações, eu ganho, visto que o teu pai ofereceu-se para pagar os custos do Hermes.
 
Hermes (aproximando-se dos dois): Bom dia menino. Pronto para eu ser o seu Tradutor nos próximos tempos?
 
Chris: Vai-te fuder Hermes! Nem sequer te aproximes de mim! Eu faço-te pior do que fiz da ultima vez que nos vimos!
 
Chris levanta-se da cadeira, joga mão à sua bota e retira de lá a sua querida Iris, o espigão que anda sempre com ele. Os ânimos exaltam-se depressa na sala com Chris a começar-se a enervar rapidamente.
 
Pavão (enervado): Chega! Chris, guarda isso antes que tenha que chamar os seguranças!
 
Depois de um compasso de silêncio, em que os ânimos se acalmam, Chris senta-se novamente e Hermes, que até agora, estava completamente imóvel, indiferente ao que tinha sucedido, vai cumprimentar Pavão e fica ao lado deste.
 
Pavão: Chris, aqui o Hermes tem uma cláusula no seu contrato que diz que tu não lhe poderás tocar com intensões de agressão, caso o faças, és despedido e levado a tribunal. Por isso, pensa bem naquilo que vais fazer. O Hermes vai traduzir tudo aquilo que dizes nos shows. Ele não é teu maneger, teu treinador, teu agente, nada, é simplesmente a pessoa que traduz aquilo que diz, por isso, não armes confusão e comporta-te. Agora, saiam os dois do meu escritório que tenho mais que fazer!
 
Os dois dirigem-se à saída e esbarram um contra o outro, ficando cara a cara. Hermes, com um sorriso na cara e Chris com uma expressão irritada.
 
Chris: Desde quando falas Português?
 

Hermes: Existem muitas coisas que não sabem sobre mim, menino.
avatar
CChris
Diogo Lourenço

Mensagens : 174
Data de inscrição : 20/05/2014
Idade : 21
Localização : Monte Gordo, Algarve

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum