Antipatriota? SIIIIIIIIIIII

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Antipatriota? SIIIIIIIIIIII

Mensagem por Shotgun em Qua 14 Jan 2015, 00:04

A câmara mostra Edward Hosking, ele que se vai sentando no seu sofá. Com uma indumentária semelhante àquela que normalmente utiliza no ringue, o britânico vai esfregando os olhos numa altura que os araios solares vão iluminando a sala de forma quase hiperbólica, tal é a sua intensidade nesta terça-feira. Após alguns pestanejos sucessivos, Hosking olha a câmara de frente. O mesmo tem o seu computador, hibernado, à sua beira. Após coçar o nariz, o mesmo parece olhar para a câmara, decidido a iniciar o seu discurso nesta solarenga manhã.

Edward Hosking: Ao longo dos tempos vou adicionando inúmeros vocábulos à minha já extensíssima biblioteca lexical. Ora em inglês quer agora em português, a língua de um país com um passado ilustre: a ocidental praia lusitana, a nação que descobriu Ceuta em 1415 e, a partir daí, começou a construir um dos mais extensos impérios coloniais da sua era. Uma inegável potência de dimensões reduzidas que teve o mundo a beijar-lhe os pés.

O inglês aplaude lentamente os méritos portugueses nesta época, sorrindo à medida que intensificava os aplausos. De seguida põe a mão esquerda atrás das suas costas,retirando uma bandeira portuguesa por baixo de uma almofada do sofá. Esta, ainda que tenha dimensões respeitáveis, está toda amarrotada e precisa claramente de ser passada a ferro.

Edward Hosking: Uma bandeira que representa de igual modo uma história ilustre, repleta de sucessos e glórias. — olha para a bandeira por breves momentos, pousando-a em cima do computador após breves momentos. — O verde, sinal de esperança e força de vontade. O vermelho, forma de representar o sangue derramado por aqueles que outrora lutaram pela nação em guerras como o Ultramar, um conflito ridículo que não algo mais fez do que a fundamentação de egos e a subliminar aprovação do racismo. Os sete castelos, cada um deles conquistado aos mouros. Se bem que hoje, pelo que assumo, esse termo tem um significado popular ligeiramente diferente, não estou certo?

Após alguns risos derivados desta última afirmação, o finalista do Masters of the Mat olha novamente para a bandeira, de forma a ficar sinceramente impressionado ao que parecia. E, apesar do apontamento crítico ao Ultramar, o inglês parece legitimamente surpreendido com a história da nação. O mesmo continua a olhar a bandeira, estando agora de perfil para a câmara e sendo visível a sua tatuagem no pescoço.

Edward Hosking: E a mais pura das verdades é que todos estes feitos me fascinam, há que dizê-lo da forma mais sincera possível. Um historial de feitos de dimensão quase mitológica e utópica, se bem que a sua debilidade frente a Inglaterra sempre foi vincada. Mas esses são detalhes pouco relevantes, outras histórias para outros dias. Eu próprio não me considero defensor da minha ou de qualquer pátria. Elas que se matem umas às outras. Voltando a Portugal, tenho exatamente que vincar esse domínio luso face ao resto do mundo nesta particular altura. Admirável! Dá a impressão que governei esta nação numa vida passada e que agora, sem surpresas, estou a vangloriar-me a mim próprio. Nada que eu não faria.

O britânico parece agora pensativo, retirando um leve sorriso do rosto e procurando prosseguir com o seu discurso, alterando o rumo do mesmo com uma mudança de argumentos.

Edward Hosking: Mas depois, eis que este país acordou para aquela que é a sua realidade atual. Uma puta. Durante seis décadas, repito... seis décadas!, foi conquistada e dominada por um bando de insignificantes espanhóis, calculem vocês! Espanhóis! Mas ao analisar mesmo que superficialmente a situação isto acaba por não ser uma surpresa de grande magnitude. Afinal de contas conquistaram uma terra decadente cujo auge já tinha passado. E de forma perspicaz essa sequência cronológica personifica a história de um povo que, por mais que tente, falha redondamente quase tudo o que faz. E mesmo que consiga algo, isso rapidamente muda para evitar que esse alguém saboreie o fruto.

O britânico pega na bandeira amarrotada, rasgando-a ao meio logo a seguir e atirando a mesma ao chão de qualquer maneira. Pisa-a logo de seguida, seguindo-se uma expressão de puro cinismo no seu rosto maldoso.

Edward Hosking: Ouço-vos claro e em bom som! Volta para a tua terra! És um ingrato! Filho da puta! Vai fazer coisas impróprias com a tua rainha! Vai p'ró caralho! Eu ouço-vos. Bem demais, até. Não necessitam de levantar a voz comigo. Mas fora de brincadeira: porque raio estão a gritar com o vosso computador? Ele apenas faz o papel de mensageiro. A mensagem é a de um país ridículo, um was been em que o futuro será muita coisa. Mas não será risonho.

O inglês liga então o seu computador, passando um excerto das declarações de Cristiano Ronaldo na gala FIFA Ballon D'Or em que o mesmo responde a um par de perguntas, uma em espanhol e outra em inglês. Ambas as respostas são dadas de forma forçada e deficiente, tal é a sua limitação e incapacidade para dominar uma língua que não a nativa.

Edward Hosking: É deveras curioso ver o ídolo e o vosso refúgio do vosso país a falar em língua estrangeira... as quais nem domina. Salvo erro, eu que nem acompanho muito futebol, os outros protagonistas expressaram-se na esmagadora maioria na sua língua mãe. Porque é que isto não acontece com o lusitano? Ora, o vencedor deste prémio aceitou esta honra em português. Inegável. Mas porquê? Porque lhe convinha. A sua capacidade intelectual para discursar numa língua estrangeira não lhe permite proferir apenas alguns pares de palavras em outros tantos segundos. E certamente se sentiu envergonhado. Meus amigos: isto, mais do que captar a atenção por estar a denegrir o menino bonito, é o marcar de uma afirmação. Nem o vosso orgulho nacional respeita a sua própria nação. Fica mal a alguém que é constantemente designado como o português mais influente da história. Mas, convenhamos, não posso o censurar totalmente.

Pousa o computador a seu lado.

Edward Hosking: Acho que é simples arrancar uma enorme lição em tudo nisto. Era algo que queria tirar do peito. O povo português tornou-se altamente submisso e teme de forma bizarra o controlo. É incrível que isto aconteça. Tenho sentimentos mistos em viver aqui, em Portugal. Vivo numa pátria desolada que aparentemente ainda recupera dum tremelique em 1755. Porém, olhando para quem sou eu, não podia estar numa posição mais benéfica porque a controvérsia gera dinheiro. E sempre o fará. Obrigado por me proporcionarem uma experiência única, tão acessível e adequada. Agradeço do fundo do meu coração. Aqui do lado esquerdo, Coelho.

O britânico levanta-se do sofá lentamente, aproximando-se da câmara. Ao fazê-lo, agacha-se com a câmara a focar-lhe agora unicamente o rosto.

Edward Hosking: Continuação de um bom dia a todos, e... SIIIIIIIIIIIIIII!

A imagem desvanece à medida que o lutador abandona a cena.
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Shotgun Eddy

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