Sangue na parede, Uísque e Cinza no chão

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Sangue na parede, Uísque e Cinza no chão

Mensagem por CChris em Seg 19 Jan 2015, 01:45

(Nota: Esta situação ocorre, toda ela, num ambiente e em língua inglesa, mas, para melhor compreensão e facilitação de leitura da comunidade, decidi traduzi-la para português.)

Já repararam como, hoje em dia, todos os filmes que entram nas salas de cinema são rotulados como “sensacionais”, “Mirabolantes”, “uma experiencia única” ou até “inspirador”? Todos os filmes, são especiais. Uns, especialmente bons, outros, especialmente maus. E já repararam que, hoje em dia, todos os filmes especialmente maus, são aqueles que recebem mais atenção? Já não existem histórias originais? Hoje em dia tudo o que se vê são heróis com calças de licra, saídos das bandas desenhados. O último bom filme que vi, era uma sátira desses mesmos filmes… mas isso são outras histórias.
 
Já saíram alguma vez de um centro comercial, depois da última sessão de cinema, e notaram que vocês são os últimos a entrar no carro? Toda uma imensidão de lugares vazios, algo anormal de se ver quando aqui estou. Entrar no carro e dirigir pelo parque, vagueando. Está tudo tão vazio, que perco a noção dos limites entre a “estrada” e o estacionamento. Sozinho neste parque de estacionamento, ás voltas, sem limites… ou quase. Uma volta bem dada, e saiu daqui, desta solidão, deste parque de estacionamento subterrâneo. Uma volta mal dada… um descuido, e espeto-me contra um dos muitos postes que suportam o peso de todo o centro comercial. Um erro, um descuido… e o pequeno morre. Mas o grande? Será sempre grande, por muito mau que seja.
 
O grande? Esse é verdadeiramente grande. O pequeno? Continuara pequeno por maior que seja. A vida tem leis. A vida tem uma forma de funcionar. As coisas têm que ter uma ordem. Sem ordem, nada existe. Sem leis, nada acontece. Sem fórmulas, a vida acaba. O grande é grande e o pequeno é pequeno, ponto. A ordem não pode ser trocada, pois aí, não haveria mais, ordem.


 ******
 
Era uma noite de domingo de inverno como tantas outras. Uma noite fria na capital portuguesa, onde chove, sem muita intensidade, mas com suficiente para se fazer notar. Chris Wickings tinha acabado de sair do táxi que viera traze-lo à porta do hotel onde este está alojado. Este dá o dinheiro ao taxista e rapidamente entra no edifício. O ar quente dentro de este contrasta com as baixas temperaturas que se encontram lá fora. O inglês rapidamente retira o seu casaco e dirige-se ao elevador para o levar ao andar do seu quarto. Ao entrar neste, Wickings começa a sentir o seu telemóvel a vibrar no bolso.
 
Este retira o aparelho e vê que começa a receber imensas notificações de twitter. Ao entrar no hotel, o telemóvel do inglês ligou-se automaticamente á internet do mesmo.
 
Chris (visivelmente satisfeito): Estou a ver que o tweet que fiz à mulher do Torres deu resultado. Já vejo isto tudo quando chegar ao computador.
 
Chris retira a bateria do seu telemóvel, o que faz este desligar de imediato. Tantas vibrações de notificações estavam a incomoda-lo, por isso, decidiu desliga-lo. Este coloca o telemóvel dentro do casaco, que tinha na sua mão e sai do elevador que tinha chegado ao seu andar. O seu quarto ficava no final do corredor e é para lá que Chris se dirige. O jovem inglês entra neste e, para seu espanto, encontra alguém dentro deste. Wickings joga mão à sua perna e, da sua meia, retira o seu espigão que parece andar sempre com este. Chris empunha Iris e dirige-se para a pessoa que se encontra dentro do apartamento.
 
Chris (agressivo): O que caralho fazes aqui, Hermes?
 
Hermes, Tradutor do lutador, estava no apartamento do jovem inglês, sentado numa das poltronas encostada à parede, com um copo de Uísque na mão, enquanto que na outra, segurava um charuto.
 
Hermes (calmo): O que faço aqui? Salvar-te, como sempre.
 
Chris (confuso):O que raio queres dizer com isso?
 
Hermes (um pouco mais agitado): O que quero dizer com isso? Que raio de tweet foi aquele que fizeste à mulher do Alex Torres?
 
Chris: Um pus as pessoas as falar de mim. O meu telemóvel está cheio de tweets de pessoas a falarem de mim.
 
Hermes começa a rir euforicamente, deixando Chris bastante inquieto. Este olha para cima da sua cama e vê o seu laptop em cima desta, meio aberto. Wickings começa a ficar um pouco assustado com a situação, receando que Hermes tenha feito alguma loucura.
 
Este abre o seu laptop e mete-se a ler os tweets que vinham da sua conta, todos durante esta tarde, período esse que Chris não teve oportunidade de aceder à net. Os olhos de Wickings começam a ficar cada vez mais abertos e a cara deste cada vez mais vermelha de raiva. Este joga o computador para cima da cama e rapidamente, joga-se para cima de Hermes que ainda se ria. O riso parou imediatamente e deu lugar à respiração pesada de Chris, que levantava o mordomo francês pelos colarinhos, enquanto o encostava contra a parede. O copo de bebida e o charuto que Hermes tinha na mão caem no chão, manchando-o e sujando-o com uma mistura dos dois
 
Chris(gritando):Tu invadiste a minha conta de tweeter? Seu filho da puta, eu vou matar-te! Humilhaste-me cabrão!
 
Hermes: Tira essas mãos nojentas de cima de mim seu animal! Tu não me podes tocar, lembraste? Tu vais ser despedido!
 
Chris: Prova que te estou a tocar, desgraçado! Prova! Tu humilhaste-me no tweeter, quando eu tinha acabado de conseguir reconquistar o meu spotlight!
 
Hermes: Spotlight? Eu salvei-te, seu mal agradecido! Tu ias ser suspenso pelo Pavão, e mais tarde ou mais cedo, irias ter um monte de mulher feministas à tua perna pelo o que disseste à Natalia. Agora ninguém te leva a sério e não vais ter problemas!
 
Chris larga Hermes, e prega um murro na parede, passando extremamente perto da cara do francês.
 
Chris: Cala-te porco! Cala-te antes que eu te mate! Tu pensas o que? Alias, não, o meu pai pensa o que? Que pode fazer o que quiser? Aposto que foi ele que te mandou cá. Da ultima vez que tivemos um encontra sozinhos, saíste com um desenho no peito, hoje vais sair com uma ferida na cara feita pela Iris meu cabrão.
 
Hermes: Atreve-te! Vais parar ao desemprego no dia a seguir e o teu pai vai garantir que nunca mais trabalhes da tua vida! Eu agi sozinho seu parvo! Eu salvei a tua pele! O teu pai queria fazer pressão sobre o Pavão para te despedir, mas agora ele simplesmente não quer saber mais deste assunto pois pensa que te enterraste a ti próprio!
 
Chris fica a olhar para Hermes. A raiva deste é enorme, mas as palavras deste parece terem acalmado o Inglês.
 
Hermes: Se não fosse eu, por esta altura seria um escândalo. Je Suis Chris seria a frase do dia de amanha, depois de seres violado pelos média e o teu pai, como abutre que é, viria comer os restos do teu corpo. Tu não percebes que eu apenas te salvei? Não mechas mais nesse teu estupido tweeter
 
Thierry Hermes abandona o quarto, deixando Chris sozinho neste. Este ainda tem a mão na parede e um enorme fio de sangue está a escorrer pela parede, efeito do murro que este deu nesta. Chris está confuso, pensando no que acabou de acontecer. Ele não consegue perceber de que lado Hermes está, mas sabe que muito provavelmente, o que este disse é verdade.
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Diogo Lourenço

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