O topo da cadeia.

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O topo da cadeia.

Mensagem por Tank em Sex 23 Jan 2015, 17:13

Tank estava na academia Skyfall, próxima de sua casa, em sua cidade natal, San Jose, na Califórnia. Ele estava a fazer um sparring com um jovem, um pouco mais jovem que ele. Os dois alternavam os holds e movimentos básicos, até que o jovem conseguiu desarmar Tank com fortes chutes na região do abdômen, derrubando-o. O jovem continuou a distribuir mais chutes, dessa vez, na região do tórax, e parou quando se cansou. Tank sorriu e disse:

- Nunca abaixe a sua guarda, garoto... Agora é a minha vez.

Com velocidade, Tank levantou-se e acertou um forte chute na região do abdômen, fazendo-o ir direto ao chão, devido à intensidade. Começou a distribuir potentes chutes no tórax e nas costas do jovem que, começou a tossir incansavelmente. Tank parou por alguns segundos, e viu que o jovem já estava, praticamente, desmaiado. Ele então, como um golpe de misericórdia, aplicou um superkick direto em sua cabeça, deixando-o caído, sangrando, no meio do ringue. Ele pegou o jovem, quase moribundo, e o levou para fora do ringue. Após já estarem do lado de fora, segurou-o na posição de um powerbomb e o aplicou o mesmo na apron. O grito de dor do garoto foi ensurdecedor, fazendo com que outras pessoas. que estavam em seus treinamentos rotineiros, viessem para checá-lo, e afastando Tank no processo. O garoto se debatia no chão enquanto o responsável o fuzilava com um olhar furioso, mas com um sorriso gozador no rosto. Um dos treinadores se aproximou de Tank, com uma face nada amigável, e disse-lhe:

- Vamos à minha sala.

O homem apressou-se, atravessando Tank e indo direto à uma escada que dava para um escritório, no primeiro andar da academia. Tank fez uma face de desprezo, e seguiu para o mesmo local que o homem estava. Chegando lá, ele viu que o treinador estava de pé, e encarava o chão, assim como fazia batidas repetitivas com o pé no mesmo. Assim que ouviu a porta fechar, ele encarou Tank com um olhar profundo e disse:

- Você acha isso engraçado, não é? Esse garoto tinha uma carreira brilhante pela frente, e você tirou uns dez anos disso dele, seu desgraçado!

- Se ele não estava preparado para um simples powerbomb, é porque ele não tinha uma carreira. - disse Tank, de maneira zombeteira - Além do mais, são essas cicatrizes que farão dele um lutador digno.

- Isso que você promove, esse show de violência, não é Luta-Livre, Tank. Luta-Livre é entretenimento. É você estar no ringue para dar às pessoas um verdadeiro show de técnica, tudo bem que haja brutalidade, mas o que você espalha é o total sadismo. Não se importa com o seu oponente, nem o dá o devido respeito. Você pensa apenas em si, e em destruir quem quer que seja, para alcançar as suas metas. - o homem fica face a face com Tank - Isso é falta de profissionalismo.

- Não me venha falar de profissionalismo, desistente. Você foi um dos homens que me ensinou algumas das coisas que eu sei, Jordan, assim como foi um dos lutadores mais ascendentes da sua época aqui em San Jose, mas você jogou tudo fora. Agora, nenhum desses vermes daqui lhe veem como o wrestler que você foi um dia, e diz que eu não trato ninguém com respeito?

- Eu tinha uma família para sustentar, Tank. A minha filha mais nova havia acabado de nascer. Você acha mesmo que eu queria deixar toda a minha carreira para trás? Eu estava pronto para assinar com algo grandioso, mas fiz a minha escolha, e não me arrependo disso.

- Eu também não me arrependo do que eu fiz hoje, Jordan. Aquele garoto vai me agradecer depois de ter feito aquilo com ele, e sabe porque? Porque ele vai estar presente no momento em que eu irei assumir a nova geração de lutadores que está a nascer. Aqueles que buscam cicatrizes maiores e mais dolorosas para o aprendizado. Sabe o que eu estarei fazendo daqui à alguns dias? Indo para Portugal, encarar todo aquele roster e provar que eu sou necessário para estar no topo da cadeia alimentar da Luta-Livre. Enquanto você fica aqui, trabalhando como gerente em uma academia, vendo outros lutadores crescerem, e ajudando outros a levantarem-se, depois de terem os ossos quebrados. - Tank diz apontando com o indicador para o jovem que estava sendo carregado por outros lutadores.

- Você está enlouquecendo, Tank. Eu não sei o que lhe ensinaram naquela sua aldeia, mas todo esse seu orgulho, e toda essa sua vontade de ser o melhor, o fará cair. Fará você sofrer por cada palavra que você já disse, e quando você estiver no limbo, eu estenderei a mão para você, porque é isso o que grandes homens fazem.

Tank pegou uma garrafa d'água que estava em cima da mesa do escritório, tomou um gole da mesma e abriu um sorriso e disse:

- Eu não aprendi a ser orgulhoso na minha aldeia, muito pelo contrário, eu aprendi à ser um homem superior, e é por isso que eu quero que você pegue essa mesma mão estendida e use-a para amaciar as bolas daquele que contratou você para trabalhar aqui, afinal, você precisa fazer isso muito bem para poder continuar alimentando a sua família, não é seu otário?

Tank da um tapa no peito de Jordan, fazendo-o desequilibrar-se um pouco, mas ficando de pé, porém furioso. Tank sai da sala, batendo a porta. Após a discussão que teve com Jordan, milhões de coisas vieram à sua mente, desde a sua adolescência na aldeia do seu pai, como no exército. Após alguns minutos parado em frente ao banheiro, ele viu o jovem com quem havia praticado o sparring, minutos atrás. O jovem estava sentado em uma cadeira, possivelmente ainda sentindo as dores do golpe devastador, e ainda se recuperando com duas sacas de gelo nas costas. Quando viu Tank, ele ergueu a cabeça e o encarou. Tank o observava atentamente, e se viu ali há dez nos no passado, exatamente da mesma maneira, vulnerável e destruído. Ele então foi de encontro com o garoto, pois havia se lembrado de algo que havia se esquecido há tempos atrás. Chegando lá, ele disse:

- Tudo bem com você, garoto?

O jovem fez um sinal de afirmação com a cabeça.

- Você lutou muito bem hoje, eu admito. Tão bem que me fez fazer com você - disse sorrindo.

O jovem abriu um pequeno sorriso tímido. Não devia ter mais que 18 anos de idade, mas ainda assim sabia lidar com o que havia acontecido.

- Bom... - disse com a voz trêmula - eu acho que ficarei um bom tempo me recuperando disso, mas é assim que aprendemos as coisas. - sorriu.

Tank o observou mais uma vez, porém o seu olhar era mais desconfiado, e disse:

- Bom, na verdade, eu não vim aqui para perguntar se você está bem ou não. Na verdade, eu vim aqui porque eu me lembrei de uma coisa.

O jovem lançou um olhar intrigado para Tank, e perguntou-lhe:

- E o que seria?

Tank abriu um sorriso e disse:

- Jamais devemos deixar um serviço inacabado.

O jovem, com certeza, iria perguntar algo para Tank, mas foi interrompido por um violento Lariat, que o fez cair da cadeira. Tank começou a pisa-lo, incansavelmente, no tórax e nas costas, enquanto o jovem gritava de dor. Toda a academia se paralisou para ajudar a separar a briga, porém Tank não se intimidou, levantou o jovem, e acertou-lhe com um Clothesline. Não satisfeito com isso, ele iria aplicar um Package Piledriver no garoto, quando Jordan acertou-lhe em cheio por trás com poderoso chute nas pernas, que impediu que ele continuasse o golpe, porém, desviou a sua atenção para o furioso Jordan. Os dois trocaram diversos socos, porém Jordan conseguiu sair por cima, até que Tank acertou-lhe com um chute no abdômen, que era um lugar delicado devido à uma lesão de anos atrás, e ainda lhe fazia sentir algumas dores. Só depois de alguns minutos, toda a academia interviu na briga e separou os dois brutamontes. Tank estava com um corte grande em sua testa e a boca partida, porém sorria como se os ferimentos não estivesse ali. Ele então gritou:

- EU DISSE PARA VOCÊ, JORDAN! EU ESTAREI O TOPO DA CADEIA ALIMENTAR, INDEPENDENTE DAS CICATRIZES, QUE VOCÊ OU QUALQUER OUTRO DEIXE! EU SEREI O PODER, E VOCÊ VERÁ A MINHA ASCENSÃO, DESGRAÇADO!

- TIREM ESSE MALDITO DAQUI! COLOQUEM-NO PARA FORA DAQUI AGORA!

Os alunos da academia acataram às ordens do treinador, porém foram necessários sete para que colocassem o brutamontes para fora da academia. Quando estavam aproximando-se da saída, Tank estava de braços estendidos, porém não expressava mais raiva, mas sim um sorriso sacana. Ele olhou para os seus colegas e disse:

- Relaxem, pessoal, eu já estou frio, fiquem tranquilos. Não vou tentar voltar para lá novamente, só deem uma checada no garoto, eu o vi cuspir um pouco de sangue depois do que eu fiz com ele.

Ele riu e foi em direção ao seu carro. Após checar os ferimentos no retrovisor, os limpou e ligou o automóvel. Ele viu um pôster da UWL colado na parede da academia, sorriu e disse:

- Estou chegando, desgraçados.

Seguiu afastando-se da academia e saiu em direção à sua casa, deixando para trás o inferno que havia criado, e o que havia nascido para trazer: a violência.


Última edição por Tank em Sex 23 Jan 2015, 17:17, editado 2 vez(es) (Razão : Nada demais)
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