Paraísos

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Paraísos

Mensagem por Shotgun em Dom 22 Fev 2015, 03:00

A imagem negra vai-se gradualmente clarificando, mostrando um céu desfocado, mas limpo. Por baixo, o rosto desfocado de Edward Hosking que anda sem nunca parar. Está de fato. Nem o som das ondas, da brisa ou dos sapatos a perfurar na areia se fazem ouvir. A imagem é suficientemente percetível para perceber que o inglês continua a andar em linha reta, agora com os olhos fechados. Repentinamente, irrompe uma voz em off que fora gravada anterior ou posteriormente à filmagem.

Edward Hosking: Os maiores paraísos são aqueles que perdemos. E pelos quais lutamos desesperadamente sem olhar para os meios, para as circunstâncias. Para a carteira, até, se for o caso. Quando a luz nos encandeia desviamos o olhar e procuramos uma que nos fascine e que nos faça andar na sua direção e segui-la. Esses são os verdadeiros paraísos. E os maiores são, novamente, aqueles que perdemos.

O discurso do inglês é complementado por uma leve melodia de fundo.

Edward Hosking: É fácil presumir, portanto, que o paraíso é relativo e é a interpretação pessoal do que uma utopia representa para o próprio. Para uns, as pequenas metas e objetivos que se juntam no final de uma vida. Para outros o culminar de uma carreira, de momentos ou tentativas num momento inesquecível. Mas os momentos são findáveis para quem se mostra displicente para com os mesmos.

Ouve-se o som de uma onda e a imagem começa a escurecer.

Edward Hosking (serenamente, após respirar fundo): Porque isto tudo... é uma merda de uma utopia. Oferecer paraísos a atrasados mentais, regalar cegos com espantos visuais, dar importância a alguém que acha que somos todos iguais. Porque não somos e nunca fomos, certamente nunca seremos. Porque há algo que nos distingue. A racionalidade. Porque neste mundo os displicentes não são mais do que as pastilhas elásticas que nos colam ao calçado na rua, só para depois as esmagarmos novamente com maior força e destreza.

A cor volta a invadir a imagem, desta feita sem qualquer tipo de desfoque. E o lutador da Ultimate Wrestling League continua a andar, sem parecer que o seu caminho tem fim. Será, eventualmente, o caminho para o seu maior paraíso. Fecha os olhos por breves segundos e a imagem vai gradualmente aproximando-se do seu rosto iluminado pelos raios solares.

Edward Hosking: James Brandão. Este é um aviso. Se na próxima segunda-feira chegares ao segundo nível, o que é improvável, só te peço uma coisa: atitude. Porque de qualquer forma, a tua batalha já está perdida. Mas não digas que te atiraram à água. Diz logo que te afogaram.

A câmara é atirada para a areia e, à medida que desvanece, Hosking cobre-a.
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Re: Paraísos

Mensagem por Sarkastik Ambassador em Dom 22 Fev 2015, 19:36

Vídeo postado no youtube.

O vídeo é inteiramente filmado no mundo exterior à noite e por isso nota-se tudo um bocado escuro, mas o ambiente era clareado pelas luzes do carro e pelas luzes dos altos lampiões da cidade de Lisboa.


James, que se encontrava com um casaco preto de capucho com este posto, estava encostado ao carro e mantinha a câmara, que estava na sua mão direita, virada para si.

James: Edward… Eu vou ser sincero… Lá no fundo eu até te admiro, tu trazes-me toda aquela nostalgia dos dias em que eu era apenas uma criança. Trazes-me a nostalgia dos dias passados a ler bandas desenhadas de super-heróis. E porquê que digo isto? Porque és igual a maior parte dos protagonistas dessas bandas desenhas. Maior parte era conhecida pelos seus superpoderes e tu também tens um… A retórica!

James: Para quem não sabe o que é - retórica é a arte de bem falar de maneira a persuadir outras pessoas e este é o superpoder do nosso Edward Hosking. Mas como grande parte dos super-heróis e super-vilões, desmantelando o superpoder chegamos à conclusão que não passam de uma falsidade que precisa daquilo como bengala para se suster. Então que seria do Ed sem todas aquelas voltas no discurso fazendo parecer tudo uma grande rotunda? Pois…

James pousa distancia-se do carro e mete a câmara em cima da capota.

James: Mas nem é com protagonistas e antagonistas desses livros de super-heróis e vilões que te acho mais parecido… não… a melhor analogia que posso fazer é com uma pessoa amada e odiada cá no burgo. Não sei se sabes quem é José Sócrates, eu imagino que saibas, porque quando te ouço tenho a ligeira sensação que ou ele foi teu professor ou andaste a ler todos os livros dele. Ambos os discursos são semelhantes em tudo, falácias atrás de falácias mascaradas pela retórica que no fim chega ao grande objetivo: Algo que são perfeitos a fazer, vender a vossa imagem!

Ele sorri antes de voltar a falar.

James: Com devidas diferenças obviamente, uma vez que ele vendia a imagem de ser o herói da nação e tu vendes a imagem de alguém que sabe tudo sobre tudo e mais alguma coisa e de que tudo que dizes é verdade absoluta. E como adição gostas de opinar sobre tudo e usando o mesmo exemplo do Jorge Gante, o Marcelo Rebelo Sousa é um entendedor e sabe do que fala, já tu dás mais uma prova que gostas de vender a imagem de que sabes de tudo e entendes de tudo, mas de tão sabichão que és não percebes nadinha do que comentas. Exemplo disso foi a tua resposta a eu ter dito que somos todos iguais e aí desencobriste mais uma faceta tua: a manipulação! Porque eu falei sim do facto de que todos somos iguais no aspeto de sermos pessoas e ninguém ser um deus, não de todos sermos iguais na generalidade.

James: Mas voltando à analogia com ex-primeiro ministro português, ambos chegaram a um ponto que se contradizem. Como Sócrates perdeu-se nas voltas das suas mentiras, tu perdeste-te nas voltas do controlo e descontrolo, afinal quem és tu para falar de controlo em todas as tuas aparições depois dizeres “És isto porque fumas cigarros, ficas mais cego por cada um que metes à boca... (…) E quem sou eu para julgar alguém que faz algo que eu próprio fiz durante anos.”.

James: Afinal quem és tu para falar de controlo? Ninguém. E na mesma senda, quem és tu para falar de paraísos utópicos? Este, usando o teu insulto a mim, “atrasado mental” não anda receber de paraísos utópicos como tentas passar a ideia, uma mentira muitas vezes dita não passa a ser verdade e não fui eu que fui levado ao colo para vencer um título de maneira a não ficar tão mal visto por não ganhar o título principal! E parece que segunda-feira tens mais um paraíso utópico... Chego inclusivamente a um ponto que penso que referias-te a ti próprio quando falavas num atrasado mental… E esse aviso? Diz o que te vai na alma à vontade, eu não sei o futuro, até posso perder logo com o Vlad, mas assim como eu posso perder com ele, tu podes perder o título! Porque futurologias são futurologias e não verdades absolutas!

A imagem começa a desvanecer.

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