Dia de Treino

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Dia de Treino

Mensagem por Rei AR em Qui 26 Fev 2015, 12:51

João encontra-se pela primeira vez no centro de treinos após ter sido aceite pela UWL. Mas ainda há um longo caminho a percorrer e existem sacrifícios a ser feitos para poder chegar ao topo. Não interessa se o corpo doí ou se estás cansado quando tens uma meta e um objectivo para cumprir. E João Franco entrou na UWL com uma missão. Juntamente com ele encontram-se uma data de miúdos mais novos que foram igualmente aceites, embora muitos deles venham a ser dispensados num curto espaço de tempo. É a lei do mais forte, apenas os mais fortes sobreviverão. João sabe perfeitamente que não é o gajo mais dotado no ringue, mas é um tipo com alma, um tipo que leva um murro e imediatamente têm a coragem para pedir que o seu oponente tenha a ousadia para voltar a repetir o gesto. Alguns chamariam isso de loucura, outros chamam isso de espírito de guerreiro.

Mas não estão sozinhos. Embora a lei da sobrevivência seja igual para todos os homens que estavam ali a demonstrar as suas capacidades, há sempre quem chegue a determinadas posições sem ter o talento ou a dedicação necessária. Mais uma vez, encontra-se presente aquele treinador imbecil, constantemente a gritar e a exigir dos outros aquilo que provavelmente ele já não é capaz de fazer. Muitos miúdos baixam a cabeça e respeitam a sua autoridade, mas João não. João aprendeu a não baixar a sua cabeça na rua perante ninguém, custasse o que custasse. Se o treinador quisesse fazer dele um exemplo e puni-lo, assim fosse. Mas não se iria rebaixar com qualquer tipo de palavras proferidas por aquele homem.
Treinador ( num tom provocador): Tens a certeza que não queres desistir? Há aqui muitos miúdos mais talentosos e que aprendem as coisas mais depressa do que tu.

João: Bom para eles, mas eu não estou aqui para ser moldado. Eu sei o que valho, e sei que tenho coração suficiente para triunfar naquilo.

Treinador: Sim, mas aqui nos temos o nosso modo de fazer as coisas, e não estamos interessados em tipos que acham que podem fazer aquilo faziam nas ruas ou na meia dúzia de deathmatches que fizeram. Não és mais que ninguém, fazes aquilo que te é pedido e não questionas a autoridade e quanto mais depressa perceberes isso, melhor para todos.
Neste momento, João ficou bastante enfurecido, mas tentou controlar-se de modo a não fazer nenhum disparate. Agredir um treinador seria suficiente para por a sua missão em causa muito antes das coisas realmente começarem. Limitou-se a olhar fixamente para o treinador e durante algum tempo não disse qualquer palavra.
João: Eu sei que não sou o melhor a aprender determinados golpes, não sou o melhor em termos de cardio, não sou o gajo mais técnico, não sou o melhor high-flyer. Mas não vai ser isso que me vai impedir de cumprir a minha missão aqui e de ter sucesso. Sabes porquê? Porquê eu sei que consigo dar aquilo que o público quer. E tu sabes igualmente disso! Não há ninguém aqui que tenha determinação e espírito suficiente para aguentar aquilo que eu vou aguentar dentro de um ringue. E é por isso mesmo que não me vais mandar embora, e vais a partir de agora dirigir-te a mim sem qualquer tipo de provocações. Porque eu vou cumprir aquilo que disse e tu vais desejar que eu coloque os meus tomates nessa tua testa, vais querer gritar aos sete céus que foste tu que me treinaste embora ninguém vá ligar peta para isso.
O treinador e João ficaram novamente a olhos nos olhos. Desta vez era visível que ambos se queriam agredir e provar ali quem era o melhor, e pouco interessava se o resto do pessoal estava ali presente ou não. Mas não o fizeram, pois sabiam que há outras formas de provar quem tem ou não razão. Havia outras formas de determinar quem era o melhor. Um confronto físico ali iria trazer demasiadas consequências, mas iria satisfazer a sede de violência. Teria de ser evitada, pelo menos para já.
Treinador ( num tom bastante sério): Todos vocês voltem a fazer a aquilo que estavam a fazer. JÁ!
A turma voltou imediatamente aos exercícios e até João após uma nova troca de olhares intensa virou costas ao treinador e preparava-se para voltar ao exercício que estava a fazer antes de ser interrompido.

Treinador( baixo): Eu sei que tu tens essa atitude e que isso te pode ajudar a destacar aqui, mas não podes achar que podes chegar aqui e causar uma revolução, porque por agora podes ser um tubarão num pequeno aquário e até podes ser bem sucedido, mas isso não vai acontecer sempre. Há sempre alguém mais poderoso e melhor que nós.

João(baixo): Eu sei que pode haver sempre alguém mais poderoso e melhor. Alguém que até me ensine uma lição e me tente fazer com que eu pareça uma merda desprezível à frente de toda a gente. Mas eu não vou voltar a baixar a minha cabeça e não vou parar até cumprir aquilo que tenho de fazer.

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