Um Homem Perigoso

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Um Homem Perigoso

Mensagem por Rei AR em Sex 06 Mar 2015, 13:01

Após a sua suspensão, Chain regressou finalmente ao centro de treinos da UWL. Ainda tinha o corpo todo dorido e cheio de marcas do seu combate com o Zé Carlos, mas não podia ceder. Não esperava que fosse bem-vindo na UWL, principalmente após os acontecimentos que se antecederam à sua suspensão. Ter competido fora da companhia de Pavão também não iria ajudar a sua situação. Assim que entrou no centro de treinos, toda a gente parou de imediato os seus exercícios e todos os olhares centraram-se em Chain. Ninguém proferiu um palavra, e após um minuto de silêncio constrangedor voltaram a ignorar-lo e retomaram aquilo que estavam a fazer. Chain, não se importou por não ter a melhor reacção pois já estava mais que claro que ele não pretendia fazer amigos ali.

Não havia mais tempo a perder e sendo assim, começou de imediato a aquecer. Mas a verdade é que a cada movimento seu, todo o seu corpo se ressentia e pedia-lhe para parar. Relembrou-se de imediato de todos os boatos que ouviu antes de finalmente decidir tentar ingressar na UWL. Na altura não achou grande importância e muito menos esperou que tal acontecesse com ele. Muito menos antes de fazer a sua estreia. Afinal de contas os lutadores de pro-wrestling tinham mesmo de continuar a dar tudo apesar de por vezes fosse preferível descansar e deixar o corpo sarar. Mas ele tinha feito uma promessa há muito tempo atrás e não tencionava quebra-la. Provavelmente o esforço que estava a fazer iria retirar-lhe-ia anos de vida, mas isso era algo que não o incomodava. E ao contrário de certos miúdos do centro de treinos que depressa se tornavam em mestres na arte da bajulação, Chain iria conquistar os seus objectivos com esforço e sacrifícios.

Durante grande parte do dia, a maior parte daquela sessão de treino, o treinador agrupou-os em grupos de dois de modo a que os lutadores tivessem pequenos combates. E como esperado, Chain teve foi sempre emparelhado com o pessoal mais violentos possivel. Parecia que o treinador o queria levar à exaustão e a verdade é que esteve bastante perto de o conseguir. O suor apoderou-se do corpo dele e houve feridas do seu combate com Zé Carlos que chegaram inclusive a abrir-se, mas Chain tinha de manter o seu orgulho intacto à frente daquele grupo de hienas pronto a abate-lo.

Mas a sua garra e determinação permitiram-lhe chegar ao final do treino. Só após todos os lutadores terem-se embora que Chain decidiu tomar banho. Deixou-se estar ali durante bastante tempo, com a água a cair sobre ele e o seu sangue a diluir-se na mesma, e só mesmo quando algumas dúvidas relativamente à suas capacidade começar a surgir na mente que ele decidiu que estava na hora de fechar a torneira e dar por terminado o seu banho. Assim que saiu da zona de chuveiros, Chain deparou-se de imediato com o treinador que tanto lhe infernizara a vida nos últimos dias sentado num dos bancos. E pela primeira vez naquele dia, Chain teve de revelar a sua debilidade que tanto procurou esconder. Demorou imenso tempo a vestir-se, pois o simples toque da sua t-shirt no seu tronco cheio de feridas causava-lhe bastante dor. O treinador nada fez e limitou-se a olhar para a fragilidade do lutador que procurara fazer frente nos últimos dias, e embora fizesse o possivel para não o transparecer, a verdade é que estava a adorar ver Chain naquele estado.  

A única vontade de Chain era fazer com o seu rival pagasse por acto tão mesquinho. Mas isso iria complica-lhe bastante a vida. E se tinha conseguido suster a sua ira até agora, aquele não era o momento para estragar tudo. Para além disso, talvez não fosse capaz de tratar da saúde do treinador naquele momento. Como tal, procurou despachar-se embora o seu corpo não estivesse a ajudar. Finalmente, quando ficou pronto, Chain, agarrou na sua mala e dirigiu-se à saída sem dizer qualquer tipo de palavras.


Treinador: Tenho novidades para ti...

Chain estava prestes a sair pela porta, e embora preferisse ignorar aquele homem acabou por parar e decidir que escutar aquilo que ele lhe tinha para contar. O mais provável era que a UWL não visse a sua participação no Clube de Luta com bons olhos. Talvez soubesse que Américo Amorim tenha estado em contacto com ele após a sua última batalha. Chain permaneceu de costas para o treinador e esperou pelo pior.

Chain (rude):  Aposto que finalmente conseguiu convencer os seus superiores que o meu comportamento não é adequado à UWL!  Parabéns, suponho que esteja bastante feliz.


Treinador: Tenho ordens do pessoal de cima, e infelizmente elas até que são boas noticias para ti. Parece que conseguiste convence-los com esse ar de quem se acha o filho da puta mais duro no Mundo. Dizem que és um tipo cheio de garra e que poderá fazer algum impacto. E eles querem-te no próximo Kerosene.

O treinador levantou-se e aproximou-se de Chain com um ar bastante feliz.

Treinador: E meu caro, é aí que a tua sorte acaba e a minha começa. Sabes porquê? Porque irás enfrentar nada mais nada menos que o Androide Humano, Gonçalo Queirós. Um miúdo cheio de talento e com uma imensa fome de vitórias. Ele está ansioso para provar que é o melhor e a julgar pelo aquilo que o miúdo sabe fazer, ele vai revelar todas as tuas fragilidades enquanto lutador. Se juntarmos isso ao facto  ao teu estado actual, temos uma combinação. Vou-te ser sincero, estou mesmo cheio de vontade de ver o próximo Kerosene.

Chain estava cansado do discurso daquele homem. Estava a começar a ser cada vez mais difícil suporta-lo. Deixou o seu saco de equipamento cair no chão do modo mais audível possivel e finalmente virou-se de frente para o treinador.

Chain: Quer saber qual a diferença entre mim e o Queirós? É que eu não quero assim tanto uma vitória. Eu tenho coisas mais importantes para tratar na UWL. Eu nem sequer me importo se venço ou perco frente a esse gajo. E se o Queirós for realmente um tipo inteligente, assim que estiver comigo no ringue depressa vai perceber que isso é algo que me faz um tipo bastante perigoso. Se ele e o seu manager querem assim tanto mostrar que ele pertence ao topo. Actualmente, eu posso estar na merda, e eu sei perfeitamente que ele é mais rápido do que eu, mais hábil do que eu e tem um dos melhores managers do seu lado, mas ele vai ter de dar tudo aquilo que tem e vai aprender que eu nunca, mas nunca, baixo a cabeça perante ninguém. Sinceramente, pensei que já tinha tido tempo para perceber isso.

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