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Mensagem por CChris em Sab 14 Mar 2015, 23:45

O calor do dia mistura-se com o frio da noite neste final de tarde de Março. Os dias estão cada vez maiores e cada vez existe mais tempo para estar na rua, pelo menos, em suposta segurança, sob a vigilância da luz. A escuridão demora cada vez mais a chegar às terras de Afonso Henriques, terras de Portugal. 

Em cima de um terraço tipicamente lisboeta e com a imagem do sol por trás, temos Diogo Lourenço sentado no parapeito da varanda. O lutador da UWL está agasalhado, preparado para a noite que está por vir, dizendo assim adeus ao dia que acaba sob a forma de um por do sol da luz do fogo.

Diogo Lourenço: Dia 25 de Abril de 1974 foi o dia em que Portugal mudou, para sempre. Foi o dia em que a noite finalmente acabou e o sol voltou a brilhar neste pequeno paraíso à beira do mar. Cravos foram lançados ao ar e cantaram-se músicas de liberdade e alegria em todas as ruas do país. “Somos livres”, gritaram milhões de pessoas em todo o continente e ilhas, festejando dias sem fim a queda da ditadura…

Diogo Lourenço tira de dentro do seu casaco negro, um cravo e começa a aprecia-lo enquanto o roda gentilmente sobre os seus dedos.


Diogo: 41 anos depois… estamos mais presos do que no dia anterior à revolução. 41 anos depois, estamos presos… não pela PIDE, não pela Troika ou pelo FMI, mas sim, presos por nós próprios. 41 anos depois, o povo festeja o acontecimento que mudou a historia, mas não mudou o dia-a-dia do cidadão comum.

O lutador de Tomar esmaga a flor do cravo com a sua mão, retirando as pétalas do resto da planta e jogando o corpo, agora nu e depenado, desta, fora.

Diogo: Mas o cidadão comum pouco se importa com isso. Para ele o que importa é festejar todos os anos algo que, a única coisa que realmente prevaleceu, foi a musica que se cantou nesse dia. Festejar é que é bom, festejar é que o povo gosta. Por isso, dia 25 de Abril de 2015, vamos festejar a ignorância e hipocrisia de um povo com um dos maiores eventos de Wrestling que este país já viu. No dia 25 de Abril teremos o Independência, evento da VLL.

Lourenço agarra numa das pétalas que tinha na mão e larga-a, com a outra mão, no ar. O vento transporta a pétala para outros lugares, para outras dimensões, para outros destinos que não o dos portugueses.

Diogo: Como atração principal temos um combate entre… dois ingleses… No dia em que celebramos a Revolução e a Liberdade do povo português, temos no combate principal da noite dois estrangeiros… 

Lourenço liberta outra pétala, fazendo-a voar noutra direção qualquer.

Diogo: Num outro combate, nessa mesma noite, temos Diogo Lourenço contra Gabriel Martins… dois excelentes lutadores que chegaram ao topo da VLL no tempo em que esta foi viva. Dois excelentes lutadores que carregaram a companhia às costas quando esta mais precisou, mas estes dois lutadores são regalados para o mid-card da noite, enquanto temos no Main Event uma pessoa que mais prejuízo e processos deu à companhia do que alegrias e lucro, nomeadamente, Kevin Gunn, e outra pessoa que nunca sequer participou na companhia. 

Diogo ri, frustradamente, enquanto vai libertando algumas pétalas, uma a uma, para o ar.

Diogo: Os Ingleses, que nos humilharam com o seu Ultimato à um século atrás, humilham-nos novamente um século depois, sendo o Main Event da festa mais “portuguesa” do ano. De quem é a culpa? Deles não é de certeza, eles limitam-se a receber os cheques. Minha? Talvez, por não tomar uma ação contra isto tudo. Mas a culpa é certamente de quem diz mandar na VLL, que toma estas péssimas decisões. Mas acertou numa coisa, vá lá, ao menos em uma. Acertou em marcar-me um combate para essa noite contra o Gabriel Martins.

Diogo liberta agora todas as pétalas que tinha na mão, criando uma dança entre elas ao sabor do vento. Depressa elas se dispersam. Umas caiem no chão da varanda lisboeta, outras voam para longe. Lourenço desce do parapeito para o chão de tijolo da varanda, dando uns passos pela varando, mudando o angulo do por do sol para a ascensão da lua.

Diogo: Querem ser sinceros? Vamos ser sinceros… vocês todos querem ver um grande combate de wrestling, tudo aquilo que a modalidade tem de melhor para oferecer, no dia 25 de Abril. Vocês não precisam de esperar até ao Main Event do espetáculo, basta verem o meu combate com o Gabriel Martins para perceber que… o que é nacional é que é bom e não existe nada melhor do que o Original sabor português. Gabriel, não penses que eu te estou a menosprezar e a falar pouco de ti, mas sei que tu te sentes da mesma forma que eu… 

Diogo Lourenço desloca-se agora até metade da varando, ficando entre o meio dos dois cenários. De um lado, o dia, o por do sol, a luz e o calor. Do outro lado, a noite, a ascensão da lua, a escuridão e o frio. Diogo fecha os olhos e abre os braços, respirando fundo. Num movimento seco, os braços caiem ao longo do corpo e este volta a abrir os olhos, olhando para o centro da câmara.


Diogo: Dia 25 de Abril, o povo português vai ganhar a verdadeira Independência quando os portugueses derem o melhor combate da noite e humilharem os ingleses que se dizem material de elite. Nick, Kevin, preparem-se… i hope you suffer!

A imagem desvanece.

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Diogo Lourenço

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