Raiva e Desespero

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Raiva e Desespero

Mensagem por KatRoss em Qua 12 Ago 2015, 23:58

Katarina encontrava-se de calções pretos rasgados e gastos, saltos altos e uma camisola que apenas lhe cobria o peito, costumava chamar-lhe "uniforme de trabalho" embora aquela hora ja tivesse um pouco descomposto pela alta frequência de clientes e a sua típica agressividade para com mulheres como ela.

A sua pele arrepiava-se com a brisa noturna embora não desfizesse a sua postura direita e feminina. Era o fim daquela noite e consequentemente o ultimo cliente. As forças policiais inglesas ainda a procuravam pela europa embora não com tanta insistência como nos primeiros meses e Katarina era forçada á vida da prostituição, sem mais saídas pois era a única maneira que encontrava para ganhar dinheiro da forma mais discreta possível.


Cliente: Foi uma bela noite boneca...

Disse-lhe entregando-lhe o dinheiro do serviço e Kat, como era conhecida entre os clientes, força um sorriso. Aproxima-se e sussurra ao ouvido daquele homem que tinha acabado de a levar para o banco de trás do seu BMW.

Kat: Boneca é a tua mulher que consegue continuar a dormir contigo na mesma cama mesmo depois de já te ter visto nu.

Depois desta tacada verbal Katarina vira costas seguindo o seu caminho de volta ao apartamento onde vivia, deixando o homem a olhar para ela com um misto de surpresa e raiva estampado no rosto.

Katarina guardava dentro de si uma raiva muito grande não só pela vida que levou nos últimos anos mas de si própria por ter chegado ao ponto de não conseguir controlar a sua situação social e sobretudo financeira. Sendo ela alguém super perfecionista, ter a sua liberdade e a sua vida fora do controlo dela era algo que a intimidava de formas absurdas alimentando cada vez mais a sede de dinheiro e independência.  

Katarina tinha a perfeita consciência das suas habilidades e capacidades físicas, era inteligente e claro, já tinha tudo planeado. Kat só esperava a altura ideal para atuar, ela sabia que tinha futuro no ringue e queria deixar isso bem claro.
Esta guardara o cartaz de Conflict há já algumas semanas e fruto do desespero decidiu envergar por este caminho.
Ela acreditava que ia surpreender pelo seu corpo e pela sua inteligência em combate... Pois sabia que os seus 57Kg 162cm de altura eram capazes de enterrar muita gente.

Kat amachuca o cartaz com força e firmeza que se encontrava na sua mão.


Kat: Se consegui sair viva de uma prisão de alta segurança então também consigo fazer isto.

Chegou a casa com o cigarro pendurado na boca, tratou de tirar aquela roupa e os sapatos desconfortáveis e trocou-a por um fato de treino cinzento.
A casa de Kat era vazia. Literalmente vazia. Naquele T1 havia apenas alguns armários mal pintados de preto, uma pequena secretaria desarrumada e cheia de papelada, uma manta pequena e fofa estendida no chão que usava para relaxar e meditar, a um canto encontrava-se um colchão, alguns pesos espalhados algures e anotações espalhadas pelas paredes, pequenos papelinhos de diversas cores e tamanhos espalhados por todo o lado. Todos eles com objetivos e resultados do treino que Kat diariamente executava sozinha. Parecia uma enorme bagunça mas estava tudo meticulosamente organizado.

Logo começou a treinar, não havia tempo a perder...
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Noite fatídica

Mensagem por KatRoss em Qui 13 Ago 2015, 20:23

Inicio do flashback:

Era uma madrugada barulhenta, recheada de gritos, choros e gemidos de dor. A escuridão consumia aquele quarto rustico que estava apenas iluminado pela luz fraca de um candeeiro velho que marcava presença naquele espaço há mais de 20 anos, tal como a maioria dos objetos e mobílias.

???: Devias morrer de uma vez por todas! Só dás trabalho e despesa!

Katarina abre a porta de casa rapidamente, os gritos já se ouviam do lado de fora do prédio e ela automaticamente apercebeu-se do que se passava. Tentando ser o mais silenciosa possível, pousou a sua mala no chão e dirigiu-se ao quarto de onde se ouviam os gritos e espreitou discretamente pela pequena abertura que a porta de madeira tinha.
Os olhos de Katarina estavam incendiados de raiva, a raiva que acumulara desde a sua infância por aquele sujeito que se encontrava de pé junto á cama que outrora tinha os lençóis direitos e arrumados.
Ouviu-se mais um estrondo, mais um chicotear contra a pele e consequentemente mais gritos desesperados. o individuo falou com a sua voz masculina extremamente rouca e grossa que Katarina conhecia tão bem desde que nascera.


???: Sua cabra inútil! Não serves para nada!

Katarina conseguia observar o sangue na cara magra e negra da figura feminina deitada imóvel na cama.

???: És uma puta desgraçada, não mereces o ar que respiras!

O homem levantou a mão fechada preparado para esmurrar aquele corpo imóvel e marcado pelas agressões frequentes. Katarina entrou no quarto fazendo a porta chiar de tao antiga que era, ela tinha que impedir a continuação daquela situação.

Katarina: Afasta-te imediatamente!

Katarina ergue uma arma preta nas mãos apontando-a para aquele sujeito alto e magro de cabelo grisalho. O homem olha para ela com olhar de desdém. E a voz feminina da vitima ouviu-se desesperadamente.

???: Não Katarina! Não faças nada, por favor filha!

A rapariga que mantinha a arma apontada olha nervosamente para a sua mãe mas sem dizer uma única palavra. O homem aproximou-se de Katarina e esta agilmente o afastou com um pontapé no estomago atirando o homem contra a parede derrubando o velho candeeiro e ficando estendido no chão. A voz rouca ecoa pelo quarto novamente.

???: És tão cabra como a tua mãe.

A mãe de Katarina continuava a chorar desesperadamente, os gemidos de dor e os seus berros eram contantes. Aliás, eram constantes há muitos anos.

Ouviu-se um estrondo enorme que invadiu todo o prédio. A cara de Katarina estava salpicada de sangue, as suas mãos estavam a tremer, tinha os olhos esbugalhados e o coração estava muito acelerado. Os gritos da sua mãe eram ensurdecedores.


Mãe: Mataste o teu pai Katarina! Tu mataste-o! Estragas-te a tua vida Katarina! Como foste capaz? Como?

Katarina não despegava o olhar daquele corpo morto que ali estava deitado no chão, ele tinha a sua cara deformada e cheia de sangue, no chão ao seu redor formava-se uma poça de sangue que ia aumentando consideravelmente com o passar dos segundos.
Katarina tinha disparado contra a cabeça do seu próprio pai e não estava arrependida.


Katarina: Ele ia-te matar... sei que um dia ele o ia fazer...

Sussurra com a sua voz tremida e levemente assustada pelo seu ato.

Fim do flashback

Katarina lavou a cara para se livrar daqueles pensamentos que a assombravam desde aquela noite. Aquele sangue nunca saíra totalmente do seu rosto e das suas mãos, aquela voz ainda gritava na sua cabeça. Acendeu um cigarro e sentou-se na secretaria. O vento que vinha da janela aberta à sua frente despenteava-lhe os cabelos. Pegou nos papeis desarrumados e começou as suas contas, organizou todos os seus próximos treinos e os objetivos que queria alcançar. Focou-se na sua agilidade e na sua habilidade de surpreender as pessoas e definiu várias estratégias e planos para diferentes combates e situações. Ela estava determinada a vencer.
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