Atenção meninos e meninas! Vem aí... a aberração.

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Atenção meninos e meninas! Vem aí... a aberração.

Mensagem por Andréas Papandréou em Qui 13 Ago 2015, 15:21

Paris, França, 3 de Agosto de 2015

???: São essas as condições. Alinhas?

Dentro das instalações da  Conciergerie, a prisão do Estado de Paris, um homem inicia um monólogo no local de visitas aos prisioneiros. O homem, francês, alta estatura e barba mal feita, vestia um fato e gravata, dando uma impressão elegante à primeira vista, não estivesse o fato gasto e com nódoas, indicando que talvez seja a única vestimenta do sujeito. Este encontrava-se sentado com um guarda prisional atrás, por questões de segurança. Com as mãos em cima da mesa e um olhar sério e um tanto vazio, o homem vai falando com o prisioneiro à sua frente, que está na mesma posição mas de cabeça baixa, escondendo o rosto.

???: Iríamos ainda hoje. Não há tempo a perder.

O homem falava baixo, quase sussurrando, observando as reações físicas do prisioneiro à sua frente.

???: Sei que não é o teu estilo. Mas preciso de uma resposta. E que seja agora.

O guarda prisional esboça um sorriso, sabendo de antemão que a conversa do sujeito estaria a ser em vão.

???: Eu vim desde muito longe para te tirar daqui. Aceita a minha proposta. Sabes que o queres.

A visita estava a ficar impaciente, juntando as mãos em cima da mesa, abanando a perna direita e mordendo o lábio de tempo a tempo, aguardando a resposta.

???: Bolas Pantomimus! Responde-me de uma vez por todas!

O sujeito bate com as mãos na mesa e levanta o tom de voz, espantando as restantes visitas naquela sala.

Guarda: Mantenha o seu tom de voz baixo ou terá de abandonar o local.

O homem fica espantado e olha para cada lado, percebendo os olhos postos nele pela sua reação.

???: Peço desculpa.

Guarda: Eu percebo a sua frustração, mas está a perder o seu tempo. Dele não conseguirá nada, não passa de um vegetal.

O prisioneiro, ao ouvir as palavras do guarda, levanta a cabeça, somente para contrariar as suas palavras, mostrando o rosto pela primeira vez no decorrer daquela conversa. O prisioneiro, de cabelo rapado, olhos azuis e barba por fazer, tinha um aspeto detestável, de quem não dorme à imenso tempo, tendo os olhos rodeados de olheiras. Este, olha diretamente nos olhos da sua visita, para espanto do mesmo e do próprio guarda prisional.

???: Parece que afinal me ouviste. Reconheces-me certo? Como te disse mal cheguei aqui...eu não desisti de ti. Não desisti do nosso sonho. Lembras-te? Lembras-te...Pantomimus?

O recluso, abanando a cabeça ligeiramente em sinal de afirmação, olha para o seu visitante com um ar pouco amigável. De seguida, olha para a sua identificação, uma espécie de crachá no lado esquerdo do seu peito, apenas indicando uma série de número aleatórios.

???: Esses números, nada dizem de ti e da tua vida. Eu sei quem eras antes de vir parar aqui. E sei melhor quem és agora. Mas mais importante...sei quem poderás vir a ser. Sim, até tu...não. Até nós temos um futuro.

Pantomimus olha para a sua visita com uma expressão facial de surpreendido e emocionado, sendo uma mudança radical tendo em conta a expressão anterior.

???: Esta vida de lixo que temos não é para nós. Se o próprio lixo pode ser reutilizado, porque nós não poderíamos? Perdemos anos e anos a viver nas sombras. A viver na escuridão e chegámos À conclusão que é mesmo aí onde nos sentimos bem. É na escuridão que as nossas almas deixam de sofrer tanto. Pantomimus...esquece a nossa vida passada. Esquece esta prisão. Tenho o sítio ideal para libertarmos a frustração que a sociedade em que vivemos nos deu. E sabes uma coisa? Esse sítio é escuro. Muito escuro...

Pantomimus olha fixamente para a sua visita, suportando a cabeça com as  mãos por baixo do queixo, prestando muita atenção ao que está a ser dito.

???: Vem comigo. Torna-te a minha marioneta. A minha arma e o meu escudo. Se o fizeres, rapidamente te tornarás a lenda que outrora foste. Prometo-te que poderás descarregar toda a raiva que possuis dentro de ti. Aceita a minha proposta. Vem comigo Pantomimus! Vem comigo para fora deste país nojento e vamos para Portugal, onde poderás distribuir todo o tipo de dor sem qualquer punição!

A visita do grego é interrompida pelo diretor geral do Conciergerie. Este vem carregado de uma mala numa mão e uns quantos papéis noutra.

Diretor-geral: Bom, Sr. Jean Gaspard, parece que está tudo em ordem. Tem a certeza que quer abdicar de todos os seus bens da sua longa carreira para libertar esta...esta...aberração?

Jean Gaspard: Tenho toda a certeza.

Diretor-Geral: Não percebo os seus motivos, mas pagando a fiança não tenho nada que o impeça. Mas já sabe, se voltar a haver uma criminalidade da parte deste recluso e ele nunca mais sairá daqui. Isso lhe garanto. Agora acompanhe-me, preciso que assine uns últimos papéis para oficializar tudo.

Jean Gaspard: Com certeza. Adeus Pantomimus. Volto em breve. Arruma os teus pertences.

Pantomimus olha de forma surpreendente para Jean e para o diretor-geral.

Guarda prisional: Bom, parece que é o teu dia de sorte. Há quem seja mais maluco que tu. Anda, para a tua cela, vai buscar as tuas coisas!

O guarda prisional pega no ex-mimo e leva-o para fora da sala de visitas. Ao mesmo tempo, Jean Gaspard é acompanhado pelo Diretor-Geral no sentido contrário. Ao mesmo tempo, o francês e o grego olham para trás. Jean sorri para o seu ex-pupilo de circo. Este, inesperadamente, sorri de forma distorcida para Jean, dando a entender que aceita a proposta do francês.
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Andréas Papandréou
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